Peixeiras querem ter voz no desenho de políticas públicas das pescas
Economia

Peixeiras querem ter voz no desenho de políticas públicas das pescas

A partir de desta sexta-feira, profissionais do setor provenientes de cinco ilhas do arquipélago, participam no primeiro Encontro Nacional de Peixeiras de Cabo Verde, tendo por palco São Vicente e Santo Antão. O evento pretende ser um espaço de decisão e representação para uma classe que, historicamente, tem estado fora do desenho das políticas pesqueiras do país.

Representantes de associações de peixeiras de cinco ilhas do arquipélago reúnem-se, a partir desta sexta-feira, 27, em São Vicente, no primeiro Encontro Nacional de Peixeiras de Cabo Verde, uma iniciativa que se prolongará no sábado com um intercâmbio na ilha de Santo Antão.

Em declarações à Inforpress, a presidente da Associação das Peixeiras do Mindelo (APM), Eloisa Mota, explicou que o encontro pretende ser um espaço de decisão e representação para uma classe que, historicamente, tem estado fora do desenho das políticas pesqueiras em Cabo Verde.

“O objectivo deste encontro é promover um momento para que as peixeiras das diferentes ilhas possam conhecer-se e colocar em cima da mesa os problemas que enfrentamos, que são praticamente iguais em todas as ilhas, apesar de realidades distintas”, afirmou a dirigente da APM.

Segundo Eloisa Mota, entre esses problemas estão desafios como o acesso à proteção social, a precariedade das infraestruturas de comercialização, a escassez de formação profissional e, principalmente, o acesso ao microcrédito.

Demasiada burocracia dificulta acesso ao crédito

“Na questão do acesso ao crédito, a maioria das soluções não é desenhada para o setor da pesca, mas sim para outros sectores. Sabemos que, nas pescas, grande parte das pessoas tem baixa escolaridade […]. O setor é informal e pedem muita papelada para um público com estas características”, frisou Eloisa Mota, realçando que, por causa dessa burocracia, muitas peixeiras desistem de contrair crédito junto da banca.

Além disso, ainda segundo a presidente da APM, pesa o facto de as peixeiras, que garantem a cadeia de valor da pesca artesanal, não terem voz nos processos de decisão que afetam diretamente as suas vidas e os seus meios de subsistência.

Peixeiras querem ter voz

“Queremos ter voz em algumas decisões. Também temos falta de materiais de trabalho, porque não os encontramos no mercado. Esperamos encontrar soluções para resolver os nossos problemas e, futuramente, elaborar um documento para entregar ao Ministério do Mar, com vista à resolução dos problemas que temos em comum”, adiantou Eloisa Mota.

O programa do encontro combina visitas de campo às comunidades piscatórias de São Vicente, como Calhau, Salamansa e São Pedro, sessões de formação em gestão associativa e empreendedorismo, diálogo sobre os desafios comuns do setor e um ato comemorativo do Dia da Mulher Cabo-verdiana, nesta sexta-feira, 27 de março.

“A efeméride será celebrada com intervenções das representantes das associações participantes, uma conversa aberta sobre o associativismo feminino e os seus desafios e uma sessão de teatro pedagógico orientada para a sensibilização e a reivindicação de direitos”, acrescentou a presidente da Associação de Peixeiras do Mindelo.

Organizado pela APM, o primeiro Encontro Nacional de Peixeiras de Cabo Verde tem parceria com a Paz & Desenvolvimento, no âmbito do projecto “1 Mar d’Comunidad”, financiado pela Cooperação Espanhola (AECID), com o apoio da Blue Ventures.

C/Inforpress

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