
Clóvis Silva criticou a “fuga sistemática” do Governo ao parlamento, apontando a não realização de debates com ministros e com o primeiro-ministro em março, por falta de indicação do grupo parlamentar do MpD. Mais vale não vir do que vir e não ter nada de concreto para apresentar”, declarou o líder parlamentar do principal partido da oposição.
O líder parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Clóvis Silva, acusou esta quinta-feira, 26, o Governo de fugir ao escrutínio dos deputados e de falhar promessas, defendendo que o fim da legislatura expõe fragilidades na execução e ausência de resultados concretos do executivo liderado por Ulisses Correia e Silva.
Aludindo ao balanço da legislatura, o líder parlamentar considerou que o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) falhou na concretização dos compromissos assumidos ao longo dos últimos dez anos, apesar de ter beneficiado de maioria absoluta e de ter condições políticas e financeiras favoráveis.
Fuga sistemática do Governo
Clóvis Silva criticou, ainda, o que classificou como “fuga sistemática” do Governo ao parlamento, apontando a não realização de debates com ministros e com o primeiro-ministro, em março, por falta de indicação do grupo parlamentar do MpD.
“Mais vale não vir do que vir e não ter nada de concreto para apresentar”, declarou o deputado, associando esta conduta do executivo de Ulisses Correia e Silva à proximidade das eleições legislativas de 17 de maio e à necessidade de o Governo "evitar prestar contas" aos cabo-verdianos, salientando tratar-se de uma situação que “nunca aconteceu antes”, nos últimos 10 anos.
Governo falhou nas políticas públicas
No plano social e económico, Clóvis Silva enumerou vários problemas que afetam o país, como as dificuldades nos transportes, com impacto na distribuição de bens essenciais como o gás butano, as fragilidades no sistema de saúde e os desafios na segurança.
“O país enfrenta graves problemas nos transportes, dificuldades no sistema de saúde e insegurança”, disse o parlamentar, apontando a falta de consumíveis hospitalares, os problemas no fornecimento de oxigénio e as desigualdades no acesso a serviços de saúde.
Clóvis Silva criticou, também, a execução de obras públicas, que considerou mal planeadas e de baixa qualidade, e acusou o Governo de estar mais preocupado com interesses partidários do que com as necessidades da população.
Segundo disse, o executivo falhou também em áreas estruturantes, como a redução da pobreza, e afirmando que “o maior monumento desta Nação é o bem-estar do nosso povo”, não as obras simbólicas.
Governo recorre a inaugurações para influenciar a opinião pública
O líder parlamentar acusou, ainda, o Governo de recorrer a inaugurações em período pré-eleitoral para influenciar a opinião pública, referindo casos como o Campus da Justiça e as infraestruturas aeroportuárias.
Para o PAICV, o fim da legislatura deveria ser um momento de prestação de contas, com apresentação de resultados concretos em áreas como a saúde, o emprego e o combate à pobreza, o que, segundo Clóvis Silva, não aconteceu.
“O PAICV está e sempre esteve pronto para o debate”, afirmou o líder parlamentar, garantindo que o seu partido se apresenta como alternativa de governação e que o Governo pode evitar o confronto político no parlamento, mas não escapará ao julgamento popular.
Solidariedade com Cuba
Na sua declaração política, Clóvis Silva começou por manifestar solidariedade ao povo cubano, destacando o apoio histórico dos profissionais de saúde de Cuba a Cabo Verde e apelando ao respeito pela autodeterminação daquele país, numa alusão aos bloqueios impostos por Donald Trump e às ameaças de invasão desta ilha do norte do Caribe.
C/Inforpress
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários
Casimiro Centeio, 26 de Mar de 2026
Os cabo-verdianos têm estado 10 anos, exausta, agonizante e vãmente esperando pela realização da longa feira de promessas de UCS, motivos pelos quais ele , na qualidade de PM, foge ao debate como uma criança com medo da seringa no rabo!
Responder
O seu comentário foi registado com sucesso.