
O bloqueio do transporte e do comércio de combustível a nível mundial, causado pela guerra no Médio Oriente, estão a dificultar o acesso à alimentação e aos cuidados médicos, entre outros.
Reportagem da RFI revela que o Programa Alimentar Mundial denunciou que dezenas de milhares de toneladas de alimentos, destinados a países africanos em guerra ou em situação humanitária degradada, estão bloqueados.
O mesmo se passa, diz a emissora, com produtos farmacêuticos. 113 mil euros em produtos farmacêuticos encontram-se retidos no Dubai e destinados ao Sudão devastado pela guerra. 670 caixas de alimentos terapêuticos estão retidas na India, destinados a crianças gravemente desnutridas na Somália.
Na Nigéria, onde os preços dos combustíveis subiram 50%, as clínicas estão a ter dificuldades em manter equipamentos a funcionar, e as equipas móveis de saúde reduziram as suas operações, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional.
Alguns governos começaram então a implementar medidas, como no Senegal, onde o governo de Diomaye Faye suspendeu viagens oficiais não-essenciais para reduzir o consumo energético.
A situação é complicada inclusive para países com grandes reservas de petróleo, como o Sudão do Sul, que possui muitas reservas de petróleo, mas pouca capacidade própria de refinação, e que decidiu guardar a pequena quantidade de petróleo refinado para gerar praticamente toda a sua irregular produção de eletricidade.
Na Africa do Sul, o ministro dos Recursos Minerais propôs que algumas das refinarias desativadas do país fossem reactivadas, embora isso implicasse um impacto ambiental significativo.
Outros países procuram tranquilizar os seus cidadãos quanto aos custos. Em Moçambique a ministra das Finanças garantiu que os preços dos combustíveis no país permanecerão inalterados, e que o país dispõe de mecanismos de protecção, como o fundo de estabilização, com 5 milhões de euros.
Num relatório publicado a 2 de Abril, o Banco Africano do Desenvolvimento, a União Africana e as Nações Unidas expressam preocupação com as múltiplas consequências da guerra que Washington e Telavive levaram a cabo contra Teerão sobre os equilíbrios económicos e financeiros dos países africanos.
Fonte: RFI
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários