Shigella. Presidente da Câmara de Turismo diz que queixas de turistas visam indemnizações
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Shigella. Presidente da Câmara de Turismo diz que queixas de turistas visam indemnizações

O presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde atribuiu hoje queixas de turistas sobre alegado surto de infeções gastrointestinais provocados por Shigella a interesses ligados à obtenção de indemnizações, afirmando que há no país controlo rigoroso para reduzir riscos sanitários.

"Em Cabo Verde, não temos qualquer caso registado de morte. Mas é estranho que, de mais de um milhão de turistas que recebemos, sejam apenas ingleses os reportados como doentes", afirmou Jorge Spencer Lima, em conferência de imprensa, na cidade da Praia, em reação às notícias sobre alegados casos de infeções gastrointestinais.

O responsável afirmou que situações semelhantes já ocorreram noutros destinos turísticos, associando essas queixas a práticas de "litigância" com vista à obtenção de compensações financeiras junto de unidades hoteleiras.

"Reportam às direções dos hotéis, ameaçam recorrer à imprensa e pedem indemnizações. São pessoas que vêm de férias, querem usufruir e não querem pagar, inventando doenças", disse, acrescentando que estas situações geram alarmismo para tentar obter dinheiro das empresas.

"Neste momento, o ataque é para Cabo Verde. Podem considerar que o nosso sistema está mais fragilizado, que a nossa capacidade de defesa é menor, mas o ataque é dirigido ao grupo hoteleiro RIU, um grupo internacional", referiu.

O responsável afirmou que as autoridades de saúde mantêm um acompanhamento permanente, com procedimentos de controlo e prevenção para reduzir riscos sanitários no país.

Há uma semana, o Governo reiterou que o país não regista surtos de doenças gastrointestinais, após notícias divulgadas na imprensa do Reino Unido sobre a morte de um turista britânico após férias na ilha do Sal, alegadamente devido a problemas gastrointestinais, elevando para sete o número de casos idênticos reportados desde 2023.

Em 20 de março, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indicou ter detetado a bactéria Shigella em amostras de água de rega de produtos frescos fornecidos a hotéis nas ilhas do Sal e da Boa Vista.

Segundo o INSP, a investigação "identificou a Shigella Sonnei nas amostras, espécie que tem maior predomínio na região europeia, levantando-se a hipótese de uma introdução dessa espécie em Cabo Verde". 

Os resultados surgiram após o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) emitir recomendações a viajantes devido a um "risco moderado" de infeções gastrointestinais em Santa Maria, na ilha do Sal.

O ECDC referiu que continuam a ser reportados casos e que a origem da infeção não foi ainda identificada, indicando que, desde setembro de 2022, foram detetados mais de 1.000 casos confirmados e prováveis associados a Cabo Verde.

O turismo é o principal motor da economia cabo-verdiana, concentrado sobretudo nas ilhas do Sal e da Boa Vista.

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