Quando a confiança se perde: CABO VERDE
Ponto de Vista

Quando a confiança se perde: CABO VERDE

Os últimos dados da Afrosondagem, realizados através de inquérito nacional de opinião pública, revelam queda acentuada nos indicadores de confiança na governação do Primeiro-Ministro UCS. Em 2022, dados oscilavam para 57% e, em 2025, baixou para 31%, com uma variação percentual de - 26 pontos. Ou seja, nos últimos 3 anos, o governo liderado por UCS perdeu 26 pontos de confiança dos cabo-verdianos. Os dados recentes revelam deterioração acentuada da aprovação governamental em Cabo Verde. A avaliação positiva do Governo despencou de 80% (2022) para 47% (2024), representando perda de 33 pontos percentuais, em apenas dois anos. Simultaneamente, 65% da população considera que o país caminha na direção errada.

A avaliação de políticas públicas implementadas pelos governos constituem um pilar fundamental na democracia. Nos pequenos estados insulares, como é o caso de Cabo Verde, os desafios estruturais exigem respostas governamentais mais eficazes, em áreas críticas como o emprego, a saúde, as infraestruturas e a segurança.

Os últimos dados da Afrosondagem, realizados através de inquérito nacional de opinião pública, revelam queda acentuada nos indicadores de confiança na governação do Primeiro-Ministro UCS. Em 2022, dados oscilavam para 57% e, em 2025, baixou para 31%, com uma variação percentual de - 26 pontos. Ou seja, nos últimos 3 anos, o governo liderado por UCS perdeu 26 pontos de confiança dos cabo-verdianos.

Os dados recentes revelam deterioração acentuada da aprovação governamental em Cabo Verde. A avaliação positiva do Governo despencou de 80% (2022) para 47% (2024), representando perda de 33 pontos percentuais, em apenas dois anos. Simultaneamente, 65% da população considera que o país caminha na direção errada.

O estudo evidencia quatro temas críticos - desemprego e emprego jovem, cuidados de saúde, transporte e criminalidade/segurança. O desemprego, especialmente juvenil, lidera as preocupações por seu impacto direto na qualidade de vida das famílias e potencial emigratório. Ainda, indicam que cerca de 64% dos cabo-verdianos desejam emigrar, impulsionados pela busca de melhores condições de trabalho, com 76% dos jovens a ponderar esta opção.

Neste exato momento, o país enfrenta desafios crónicos de insatisfação com a governação, com 75% da população descontente com a qualidade da democracia e 65% a considerar que o país segue na direção errada. Importa realçar que, tal avaliação, é também deficitária em relação ao sistema de saúde, com efeito direto na qualidade de vida e consequentemente a sua produtividade.

A avaliação negativa estende-se de forma transversal a todas as áreas estratégicas de desenvolvimento analisadas: energias renováveis, transportes, educação e formação profissional, sectores primários, infraestruturas (marítimas e aeroportuárias), serviços públicos básicos, saúde e educação, accountability e transparência governamental.

A esta desassociação governamental em todas as áreas económicas e sociais analisadas recebeu avaliações negativas, sinalizando desalinhamentos estruturais do governo.

A esta desarticulação manifesta-se na deterioração da confiança institucional e na perceção generalizada de estagnação ou retrocesso, no desenvolvimento nacional. A ausência de investimentos estratégicos em setores fundamentais comprometerá a capacidade de resposta e os desafios contemporâneos do arquipélago.

A perda de confiança institucional reflete não apenas insatisfação pontual, mas questionamento estrutural sobre eficácia das políticas públicas implementadas. A recuperação desta confiança exige:

Transparência: Mecanismos robustos de prestação de contas

Participação: Envolvimento cidadão na formulação de políticas

Efetividade: Resultados mensuráveis em áreas prioritárias

Equidade: Distribuição justa de recursos e oportunidades para todos

Os dados evidenciam desafios significativos para o próximo governo, caso PAICV saia vitorioso no dia 17 de maio de 2026 reconquistar a confiança através de políticas públicas baseadas em evidências, focadas nas prioridades da população e com resultados tangíveis. A inversão desta tendência requer compromisso renovado com transparência, eficiência e responsabilização.

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