
Pelo menos, 50 deputados assinaram carta contra medidas do presidente norte-americano e desmascarando “premissa falha” de que “pressão máxima produziria mudanças” na ilha. Entretanto, em Cabo Verde, antigos estudantes, quadros, militares e ex-diplomatas que cumpriram missões em Cuba, assinaram um manifesto onde expressam a sua solidariedade ao povo cubano.
No centro da crise humanitária em Cuba, pelo menos 50 congressistas (deputados) norte-americanos assinaram uma carta pública endereçada ao presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, manifestando oposição ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto à ilha. A missiva é encabeçada pelo líder da minoria no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Gregory Meeks, e pelo líder da minoria no subcomité de Relações Exteriores do Senado para o Hemisfério Ocidental, Tim Kaine.
“Escrevemos com grande urgência para expressar nossa preocupação com a grave crise humanitária em Cuba, uma crise que sua administração está ativamente agravando através da expansão de uma política que fracassou por mais de seis décadas”, pode ler-se na carta. “Por 64 anos, os Estados Unidos confiaram na premissa falha de que a pressão máxima produziria mudanças políticas na ilha. Não produziu”, refere-se, ainda, no documento subscrito por meia centena de congressistas.
O documento, enviado na quinta-feira, 02, solicita também uma mudança de abordagem em relação à ilha, de forma que reverta “as seis décadas de políticas fracassadas” de Washington contra Havana, conforme explicou a diplomata Lianys Torre Rivera, chefe da missão de Cuba nos Estados Unidos, por publicação em rede social.
Na carta, os congressistas alertam que apagões, escassez de recursos básicos e o colapso de infraestruturas críticas têm afetado gravemente a população local, especialmente crianças, idosos e pacientes com doenças crónicas, já que a falta de combustível impede o funcionamento dos hospitais.
Os signatários também relembraram as recentes declarações de Trump sobre Cuba, rejeitando quaisquer tentativas do presidente norte-americano de fazer uso de seu Exército para derrubar o governo cubano. Segundo eles, tal ação custaria vidas e recursos sem mudar as condições políticas.
“Os Estados Unidos não podem bombardear Cuba para acabar com o colapso económico e a repressão política”, declarou. “Insistir em estratégias fracassadas, restringindo o acesso à energia e à saúde, é contrário aos valores norte-americanos e está exacerbando desnecessariamente uma crise humanitária”, pode ler-se, ainda, na missiva dirigida ao inquilino da Casa Branca.
Os legisladores manifestaram que a única forma de apoiar o povo cubano é por meio de políticas que o empoderem e não sejam usadas como instrumentos de pressão. Em seguida, os signatários expressaram sua disposição em trabalhar com o governo norte-americano para modificar as “políticas draconianas e obsoletas” dos Estados Unidos em relação a Cuba.
Solidariedade cabo-verdiana
Antigos estudantes cabo-verdianos, coordenados por bolseiros que foram para Cuba após a independência de Cabo Verde, em 1975, quadros, militares e ex-diplomatas que cumpriram missões naquele país, manifestam-se solidários com o povo cubano em abaixo-assinado tornado público esta semana.
“Hoje, os desafios que Cuba vem enfrentando tornaram-se ainda maiores. O prolongado bloqueio económico, financeiro e comercial, agravado por novas medidas restritivas impostas nos últimos tempos, têm limitado severamente o acesso do país a bens essenciais, incluindo combustíveis, com impactos profundos em todos os domínios da vida nacional”, pode ler-se no “Manifesto de Solidariedade com o Povo Cubano”.
C/Opera Mundi
Foto: DR
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários
Casimiro Centeio, 4 de Abr de 2026
Manifesto a minha firme solidariedade para com o povo resiliente cubano!
Responder
O seu comentário foi registado com sucesso.