ONU denuncia “escalada do desespero” após onda de ataques israelitas ao Líbano
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ONU denuncia “escalada do desespero” após onda de ataques israelitas ao Líbano

Bombas caíram sobre 60 pontos da capital libanesa e arredores, colocando o sistema de saúde de Beirute no limite. A comunidade humanitária diz que o mundo assiste não apenas à destruição de cidades, mas ao colapso da saúde mental de milhares de famílias em fuga.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou com veemência a nova onda de ataques maciços realizados por Israel em todo o território libanês.

A ofensiva, que atingiu mais de 60 localidades na capital, Beirute, e seus arredores, deixou um rasto de centenas de vítimas civis e infraestruturas destruídas. Foram 254 mortos e 1.155 feridos somente na última quarta-feira, 08, segundo a ONU.

Respeito imediato pelo direito internacional

António Guterres quer que todas as partes envolvidas interrompam imediatamente os confrontos retornando à via diplomática como único meio para evitar uma catástrofe humanitária e económica de proporções imprevisíveis.

Em comunicado, o secretário-geral das Nações Unidas classificou o número de vítimas como “inaceitável” e exigiu o respeito imediato pelo direito internacional para a proteção da população civil.

Guterres lembrou que a violência é um risco para o cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos da América (EUA) e pelo Irão, exigindo, ainda, a implementação plena da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU.

Estima-se que mais de 1,1 milhão de libaneses já foram deslocados de suas casas por razão da violência promovida pelo regime israelita, que não tem pejo em promover ataques contínuos a instalações e equipas de primeiros socorros, empurrando o sistema de saúde libanês para o limite.

Saúde no limite e trauma coletivo invisível

Ainda segundo a ONU, as mulheres e meninas sofrem impactos desproporcionais, enfrentando uma crise aguda de saúde mental em abrigos superlotados. E, no terreno, o cenário descrito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é avassalador. Segundo o representante no Líbano, Abdinasir Abubakar, os hospitais enfrentam uma pressão rigorosa.

A dificuldade de acesso à ajuda humanitária e os ataques diretos a profissionais de saúde levantam sérias dúvidas sobre a capacidade do país em continuar prestando assistência médica básica.

A tragédia também carrega um forte desequilíbrio de género. A Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) e o Fundo da População das Nações Unidas (Unfpa) alertam que mulheres e meninas estão pagando o preço mais alto pela destruição.

Grave crise de saúde mental entre mulheres e meninas

Representando uma grande parcela dos deslocados, mulheres e meninas enfrentam superlotação em abrigos e assentamentos informais, enquanto cuidam de crianças e idosos. Essa carga, aliada ao medo constante, desencadeou uma grave crise de saúde mental e sofrimento psicológico.

Para mitigar a situação, a Agência da ONU para Assistência aos Refugiados Palestinianos (Unrwa) trabalha ativamente fornecendo apoio diário vital, desde alimentos até serviços psicossociais. Os beneficiários em abrigos de emergência são quase 1,9 mil residentes.

Os impactos do conflito já ultrapassam as fronteiras libanesas, segundo o diretor executivo do Escritório da ONU para Projetos (Unops) Jorge Moreira da Silva, a guerra no Médio Oriente está desestabilizando cadeias de suprimentos e operações humanitárias globais, punindo severamente os países em desenvolvimento.

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