A Parábola do Ex-Filho Pródigo
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A Parábola do Ex-Filho Pródigo

Quando um filho se torna mais ruído do que activo, mais instinto do que estratégia, mais conflito do que construção, a casa não o expulsa. Deixa-o sozinho no centro da tempestade que ele próprio ajudou a criar.

Conta-se nas Escrituras a estória de um filho que partiu, desperdiçou tudo, caiu em desgraça e, passado algum tempo, regressou humilde. O pai recebeu-o de braços abertos, abraçou-o e celebrou-o.

Mas esta parábola não é assim.

Esta é a estória do filho que nunca saiu, mas encheu-se de vaidades, deslumbrou-se e comportou-se como se fosse dono da casa. Que confundiu filiação com impunidade, procurou um palco para exibir-se e substituiu-o por um altar, julgando que o Povo o idolatrava.

Ao longo dos tempos, acumulou-se de ruído... muito ruído.

Alimentou-se de polémicas que não precisavam de existir, teve reacções que ninguém exigia, confrontos desnecessários e respostas inflamadas a críticas que a vida obriga e ensina a tolerar.

O Filho Pródigo fez-se de influencer digital, um verdadeiro gladiador de directos nas redes sociais, até de guru ou coach motivational.

Criticou tudo e todos sem excepção. Até os outros filhos da casa. 

O que ele nunca aprendeu é que, quando alguém provoca, critica, exagera ou até ofende, há dois caminhos à escolha: a elevação ou a descida ao mesmo terreno. Escolher o segundo não é coragem, mas imprudência.

E a imprudência tem custos.

Uma reacção impulsiva foi a cristalização de um padrão. De repente, todos perceberam que o problema sempre foi a incapacidade de lidar com as críticas sem transformá-las em duelo pessoal.

Nesta parábola invertida, o filho não aprendeu com os sucessivos erros nem regressou humilde e arrependido. Quando procurou o apoio da casa, encontrou um silêncio embaraçoso. Houve apenas distância.

O silêncio também é linguagem. Não é traição…é estratégia.

Quando um filho se torna mais ruído do que activo, mais instinto do que estratégia, mais conflito do que construção, a casa não o expulsa. Deixa-o sozinho no centro da tempestade que ele próprio ajudou a criar.

A casa sobrevive como pode.

A parábola bíblica termina com reconciliação. Esta não. Porque, para haver “regresso”, é preciso primeiro reconhecer que se saiu do caminho.

E a vida não perdoa a quem confunde protagonismo com liderança.

No fim, é o Povo quem decide o destino do Ex-Filho Pródigo.

E observa tudo silenciosamente…

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