
O MpD se apresentará às próximas eleições legislativas de 17 de maio, ao nível interno, com um Governo inoperante, gordo, cansado, sem ideias e com desempenho altamente deprimente e negativo, na sequência de duas pesadas derrotas eleitorais recentes: presidenciais de 2021 e autárquicas de 2024, com uma lista de candidatos a deputados que mais parece uma lista de candidatos a imunidade parlamentar do que de representantes do povo e, num contexto internacional, com uma pressão inflacionária brutal propiciadora do agravamento do descontentamento popular contra o Governo que já é elevado. Tudo indica para mais uma alternância de poder nas próximas eleições legislativas de maio de 2026 a favor dos tambarinas.
1. O MpD governou dez anos “sem djobi pa lado” e “na hora de bai” o povo vai pedir-lhe as contas e dar-lhe um merecido cartão vermelho:

2. O saldo eleitoral dos dez anos de mandato do MpD mostra que em 2016 tivera 122.881 votos nas legislativas enquanto que em 2024 quedara-se para 72.312, ou seja, menos 50.569 em apenas oito anos em trajetória descendente! O MpD perdeu, em média, mais de 6.321 votos por ano (17 votos por dia – quase um voto por hora!!!), no período de 2016 para 2024 e se continuar nesse mesmo ritmo chegará em maio de 2026 com menos de 60.000 votos!
3. No sentido inverso, o PAICV tivera 86.078 votos em 2016 e aumenta para 87.030 em 2024, estando numa trajetória ascendente;
4. Com efeito, o MpD ascende ao poder, em 2016, com 55% dos votos;
5. Nas eleições Autárquicas de 2020, o MpD perde seis Câmaras Municipais para o PAICV, dentre as quais, a da Praia vencida por Francisco Carvalho;
6. Os ventoinhas renovam o mandato a duras penas, em abril de 2021, com 49% dos votos mas perdem dois deputados;
7. Nas eleições presidenciais de outubro de 2021, o candidato José Maria Neves apoiado pelo PAICV vence o candidato Carlos Veiga apoiado pelo MpD na 1ª volta por 51,7% contra 42,4%, respectivamente;
8. Em 2022, segundo dados do afrobarometer 57% do eleitorado considerava que o Governo de Ulisses Correia e Silva governava na direção errada, a avaliação do desempenho do Governo (MpD) era negativa para a maioria do eleitorado e a intenção de votos do eleitorado projectava vitória com maioria relativa para o PAICV;
9. Através dos estudos do afrobarometer de agosto de 2024, revelou-se que aumentou para 65% dos cidadãos a considerarem que o executivo do MpD governava na direção errada, piorava a avaliação do desempenho do Governo e continuava a projeção de maioria relativa para o PAICV nas legislativas;
10. Nas eleições autárquicas de dezembro de 2024, o PAICV impõe a maior derrota eleitoral de sempre ao MpD ao ganhar 15 CMs contra 7 para o MpD;
11. Em janeiro de 2026, publica-se na imprensa que a intenção de votos para o MpD ao nível nacional se situava em 31%;
12. Em abril de 2026, os preços dos combustíveis e gás são aumentados em 5% em consequência da guerra no Médio Oriente;
13. O impacto eleitoral desfavorável ao desempenho dos governos por causa do aumento dos preços dos combustíveis nos países democráticos situou-se, em média, de pelo menos 4% de votos de perdas eleitorais relativamente ao patamar que ostentavam antes da guerra EUA x Irão;
14. Ainda em Abril de 2026, na apresentação das listas para as legislativas de 17 Maio do presente ano, o MpD surpreende o eleitorado e a sua própria militância com a presença nas suas listas de candidatos sem a menor identificação sociológica com o eleitorado do círculo eleitoral por onde concorrem e o consequente descontentamento interno dos militantes contra as imposições da cúpula não só por causa da inclusão de determinados nomes mas também devido a sua hierarquização e ordenação e exclusão de outros levando à “exportação” de candidatos com certa identificação geográfica ou social com determinados círculos para as listas de outro partido;
15. Também em abril de 2026, o Presidente da República veta a “lei dos assessores”: diploma de ingresso excecional na Administração Pública após decisão do TC;
16. O Governo do MpD, por um lado, fracassa ao chegar ao final dos 10 anos de mandato sem cumprir suas principais promessas eleitorais de: criar 45.000 empregos; crescer o PIB em 7% ao ano, em média; fazer o aeroporto em Santo Antão; regionalizar o país; fazer um grande auditório na Praia; fazer cais de pesca e marinas na ilha de Santiago; fazer a via rápida Praia-Tarrafal; fazer o hospital nacional na Praia, dentre outras promessas não cumpridas;
17. Por outro lado e para piorar, o Governo do MpD aumentou o estoque da dívida pública, agravou as desigualdades económicas e sociais, impôs apagões elétricos de meses a várias ilhas do país, roturas de medicamentos, alternou caos nos sistemas de transportes aéreos e marítimos inter-ilhas ao logo dos mandatos, promoveu o descontentamento generalizado da população, criou frustração de várias categorias profissionais que não foram contempladas com planos de cargos e carreiras justas e outras que foram contempladas deficientemente ou de forma incompleta, acelerou a fuga da população, especialmente, jovem, para o estrangeiro e se aproximou de partidos e líderes da extrema direita;
18. O MpD se apresentará às próximas eleições legislativas de 17 de maio, ao nível interno, com um Governo inoperante, gordo, cansado, sem ideias e com desempenho altamente deprimente e negativo, na sequência de duas pesadas derrotas eleitorais recentes: presidenciais de 2021 e autárquicas de 2024, com uma lista de candidatos a deputados que mais parece uma lista de candidatos a imunidade parlamentar do que de representantes do povo e, num contexto internacional, com uma pressão inflacionária brutal propiciadora do agravamento do descontentamento popular contra o Governo que já é elevado;
Tudo indica para mais uma alternância de poder nas próximas eleições legislativas de maio de 2026 a favor dos tambarinas.
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