
O jurista, constitucionalista e professor universitário jubilado faleceu hoje em Portugal, na cidade de Guimarães, onde vivia há vários anos, vítima de doença prolongada, aos 77 anos de idade. Com uma carreira dedicada ao ensino do Direito, foi uma voz em defesa da democracia e dos direitos humanos no espaço lusófono e no combate estudantil contra a ditadura salazarista.
Cabo Verde ficou mais pobre esta quarta-feira, 08, com a morte de Wladimir Brito em Portugal, na cidade de Guimarães, onde residia há vários anos e na qual foi protagonista de intensa atividade cívica. Brito foi um dos principais arquitetos da Constituição da República de 1992, que consolidou a transição democrática em Cabo Verde.
Wladimir Brito destacou-se como académico de renome e uma voz respeitada no espaço lusófono em matérias de cidadania, democracia e direitos fundamentais. Era professor catedrático jubilado da Escola de Direito da Universidade do Minho onde foi homenageado em outubro de 2025, com presença do presidente da República.
“É frequente chamá-lo pai da Constituição de Cabo Verde, tal designação exprime, com justeza, o reconhecimento nacional pelo seu contributo intelectual e pela influência decisiva que exerceu na reflexão sobre o nosso sistema constitucional”, afirmou na altura José Maria Neves, acrescentando que a sua reflexão está sempre ancorada em evidência e rigor analítico.
Uma voz em defesa da democracia e dos direitos humanos
Wladimir Augusto Correia Brito, nasceu na Guiné-Bissau, mas viveu até à juventude no Mindelo, Cabo Verde, terra de seus pais. Foi autor de várias obras e estudos e fez questão de participar ativamente na elaboração e reflexão sobre a Constituição da República de Cabo Verde, o que lhe vale o reconhecimento como uma das figuras centrais do pensamento jurídico nacional.
Com uma carreira dedicada ao ensino do Direito, foi uma voz em defesa da democracia e dos direitos humanos no espaço lusófono e no combate estudantil contra a ditadura salazarista.
Nascido em 1948 na Guiné e filho de pais cabo-verdianos, Wladimir Brito foi viver para Cabo Verde, onde fez o ensino primário e secundário. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, onde viveu numa república e participou em greves estudantis. Acabou expulso em 1973, juntamente com outros estudantes. Enviado para o serviço militar, chegou a participar no 25 de Abril ao tomar o quartel da Figueira da Foz.
Além de uma vasta carreira académica nos estudos jurídicos, onde se tornou professor catedrático, Wladimir Brito foi ainda diretor e cofundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas por designação do Governo português, diretor da revista Scientia Ivridica e destinatário de várias distinções, entre as quais o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Primeira Classe da Medalha de Mérito atribuída pelo Estado de Cabo Verde.
C/Agências
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