Morreu o sétimo turista britânico com Shigella originária do Sal e o tabloide Mirror fez logo manchete 
Sociedade

Morreu o sétimo turista britânico com Shigella originária do Sal e o tabloide Mirror fez logo manchete 

Já são sete os turistas britânicos que morreram, nos últimos três anos, após férias em Cabo Verde e sentirem depois problemas gástricos. Bactéria foi detetada na água de rega de produtos frescos fornecidos a hotéis. Nos últimos três anos mais de 750 possíveis e confirmados casos foram detetados. Ministro da Saúde, que negara tais suspeitas sem antes pedir qualquer investigação, ficou mal na foto e periga agora o sector do turismo nacional – o Reino Unido é o maior mercado emissor de turistas para Cabo Verde. 


A última vítima é um homem na casa dos 50 anos, que morreu após uma estadia no hotel de cinco estrelas Riu Palace, em Santa Maria, na ilha do Sal, revelou a SIC, citando noticia do jornal britânico The Mirror. 

Como lembra a SIC, a notícia surge após Hélio Rocha, administrador do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), ter confirmado que Cabo Verde detetou a bactéria Shigella em amostras de água de rega de produtos frescos fornecidos a hotéis, após investigações nas ilhas do Sal e da Boa Vista. Uma posição que veio contradizer o próprio ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, que, quando confrontado com as queixas dos turistas ingleses, vindas a claro, através da imprensa do pais de sua Majestade, refutou pronta e categoricamente tais suspeitas sem antes anunciar um estudo para apurar os factos. Mas os dados do Instituto Nacional de Saúde Publica, que o ministro tutela, vieram a desmentir e tirar-lhe razão, o que esta a causar uma ma imagem de Cabo Verde precisamente junto das agências de viagens e de turismo do Reino Unido, de onde vem a maior parte dos milhares de turistas que chegam a estas ilhas todos os anos.

A investigação "identificou a Shigella Sonnei nas amostras, espécie que tem maior predomínio na região europeia, levantando-se a hipótese de uma introdução dessa espécie em Cabo Verde", esclareceu então Rocha, que garantiu estarem a ser realizadas análises que "ajudarão a elucidar sobre essa hipótese". 

Os resultados, refere o canal de TV português SIC, surgiram depois de o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla europeia) ter emitido, no passado dia 18 de março, recomendações para viajantes devido a um "risco moderado" de infeções gastrointestinais em Santa Maria, ilha do Sal. 

Segundo a ECDC, a fonte da infeção ainda não foi identificada, mas as informações atuais apontam para transmissão por alimentos ou água contaminada. 

Quanto à probabilidade de novas infeções em viajantes que visitam a região de Santa Maria, em Cabo Verde, esta permanece "moderada", sendo esperado que "ocorram mais casos de Shigella e outras infeções gastrointestinais" até que a fonte da infeção seja identificada e medidas de controlo eficazes sejam implementadas. 

Entre setembro de 2022 e março de 2026, um total de 766 casos confirmados e possíveis de Shigella foram relatados por 15 países, sendo que 12 são portugueses. 

Durante o mesmo período, foram relatados mais de 300 possíveis e confirmados casos de outras infeções gastrointestinais em viajantes que regressavam de Cabo Verde. 

Com base nas informações epidemiológicas disponíveis, a maioria dos indivíduos com Shigella e outras infeções gastrointestinais, incluindo Salmonella, hospedou-se na mesma rede hoteleira na região de Santa Maria, na ilha de Sal. 

A Shigella é uma bactéria intestinal cuja principal via de transmissão é a fecal-oral, ou seja, presentes nas fezes de uma pessoa ou animal infetado e introduzidos pela boca, através dos dedos, fezes, moscas, bebidas ou alimentos. 

Na maioria dos surtos de Shigella conhecidos, têm sido referidas as águas contaminadas com fezes humanas e as moscas, em zonas em que os esgotos não são convenientemente protegidos como principal fonte.

Quanto aos alimentos mais frequentemente associados são batata, atum, camarão, vegetais crus, leite e derivados e as aves. 

Segundo explica a ASAE, em reportagem da SIC, o aparecimento dos sintomas surge entre 1 e 4 dias após a ingestão do alimento contaminado, sendo os sintomas mais comuns as dores abdominais, vómitos, diarreia com muco e, por vezes, sangue nas fezes e febre. 


Com SIC e The Mirror

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