Subserviência intencional: um processo da autossabotagem e senso narcisista
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Subserviência intencional: um processo da autossabotagem e senso narcisista

Não podemos esquecer que todo o subserviente é desprovido de carácter e dignidade. Com isso, será facilmente manipulável e tido como uma pessoa fácil de ser descartada. Por não ter raízes profundas e fibra comportamental, não terá como formar bases sólidas para um desenvolvimento pessoal e profissional duradoira de grande impacto. Todo o subserviente é frágil e incapaz de ser uma referência permanente. Ela se processa num prisma da razoabilidade e senso de insignificância com evidências de sofisticação, mas que na verdade, não passa de uma atitude de alguém com défices profundas.

A identidade não construída poderá dar espaço às atitudes de carácter frágil e pensamentos inconsistentes. Neste processo os incautos sofrerão danos, pois a subserviência intencional tem a sua perspicácia como laço de um passarinho a ser capturado. Qualquer deslize será fatal. Todo o comportamento subserviente trás consigo a inconsistência de carácter, fragilidade de valores e ausência de princípios que regem a personalidade, a relação intrapessoal e interpessoal.

E todo subserviente padece de fibra emocional e robustez mental. O escopo neurológico do subserviente carrega um vazio intelectual e um padrão comportamental volátil. E aqueles que estiverem por perto terão que suportar ou distanciar, pois não será fácil lidar com essa questão de uma forma simplória. A perícia mental e o aparelho emocional, serão mais que necessários no sentido de colmatar a narrativa da subserviência intencional. Abarca um cenário quase doentio com evidências da razoabilidade interna e padrão autodestrutivo. Revela uma personalidade disponível para tudo, incapaz de impor o seu valor e dignidade.

Com isso, um subserviente terá mínimas chances de suplantar perante os desafios e ficará quase sempre num dilema pendular, vivendo uma autêntica crise identitária.

As características da subserviência são bem conhecidas. Todo o subserviente é um manipular. É uma das armas mais usadas e carrega um peso significativo nas estratégias utilizadas em diversas situações e relações humanas. Todo o enredo se alinha com assertivas articulações da manipulação para dar voz à sua suposta "estética comportamental" predatória. Assumirá várias cores com intuito de não ficar para trás e não ser suplantado por ninguém.

Não se esqueçam que uma pessoa subserviente não mede esforços para atingir os seus objetivos. Faz uso de todos os mecanismos disponíveis e não disponíveis para atingir o seu fim. Segue rigorosamente os processos "maquiavélicos", os fins justificam os meios. É justamente por isso, que fechar o enredo de alguém subserviente não é uma tarefa fácil. Toda a ação subserviente reflete um arcaboiço de manobras articuladas. Já sabemos e reiteramos, o figurino da manipulação entra como um dos grandes protagonistas do objetivo a ser alcançado.

Todo o processo da suposta superação e conquista está na forja a arte minuciosa e bem orquestrada do figurino manipulador. É mais que evidente que a subserviência é uma atitude que destrói e impede o verdadeiro desenvolvimento pessoal e sucesso legítimo.

Aliás, quando se encurta o caminho para atingir os objetivos com maior brevidade, estamos justamente a criar uma situação para evitar o progresso legítimo. São atalhos e articulações sem raízes para germinar e dar frutos.

Um indivíduo subserviente não mede esforços para atingir o seu objetivo, contudo terá mínimas chances de viver em paz consigo próprio e ter um sucesso legítimo. A paz não é produzida pela via da arte "maquiavélica". É um processo que demanda serenidade, consistência e dignidade. Sem o incremento da honestidade e integridade não há como viver em paz e com consciência tranquila.

Reitero, não há raízes quando a subserviência se configura como padrão comportamental. Suas ações se tornam insustentáveis. Por mais que tudo pareça evidente e lógico, com evidência que tudo está a mil maravilhas, mas no âmago da situação, nada está dando certo. É pura ilusão e no final, as consequências serão penosas e surpreendentes. Pode até parecer que tudo está bem, mas no decorrer do processo a surpresa será inevitável.

A arte da subserviência é sorrateira e nem sempre percetível. Lidar com alguém que orquestra um comportamento subserviente, exigirá muita inteligência e sabedoria.

Uma segunda característica bem conhecida da subserviência é o desejo de crescer a todo custo. Este formato estratégico segue o figurino da disponibilidade. Significa que a pessoa estará disponível para tudo. Mesmo para aquelas tarefas quase impossíveis. Esta segunda característica é permanentemente usada por aqueles que vivem a subserviência na esfera intencional.

Uma terceira característica da subserviência é a intriga. Uma das maiores armas da subserviência é justamente a intriga. É no espaço da intriga que a subserviência assume a sua dimensão mais letal. É no espaço da intriga que a subserviência cresce e ganha a sua suposta credibilidade.

Devo salientar que um dos grandes objetivos da subserviência é subir sem ter que passar pelo processo natural. O processo natural não faz parte de quem usa a subserviência como trampolim.

Uma outra característica bem conhecida da subserviência é a dissimulação. A camuflagem como uma das facetas da dissimulação, será bem visível no escopo subserviente.

Uma outra característica bem conhecida da subserviência é o senso de vítima. Este último marca o seu jogo bem subtil. Abarca um conjunto de ações e atitudes, que por fim conduz muita gente ao centro da vontade do próprio subserviente. O vitimismo poderá ser um padrão comportamental, que nem sempre se percebe. É o inconsciente conduzindo o indivíduo na sua esfera mais arriscada. Reproduzindo um conjunto de ações autodestrutivas, arrastando os incautos ao ato de imprudência e falta de bom sendo. O pior disso, é quando o vitimismo articula as suas ações com fundamento intencional. Quando menos esperamos já caímos na teia e armadilhas bem orquestradas.

É uma arma vital para quem usa a subserviência como fator de um suposto desenvolvimento. A arte do vitimismo quase sempre será "vantajosa". No inconsciente da maioria existe um senso de proteção em relação aos que sofrem. Aos que são supostamente menos valorizados. Quando alguém assume que é menos valorizado, que sofre sem fazer mal a ninguém, então neste caso, ganha aceitação e razão dos menos atentos.

Considerando todas as características mencionadas, diríamos que a subserviência é uma arte que poucos conseguem vencer. Isto me refiro à forma como podemos lidar com quem usa a subserviência como padrão comportamental. A perspicácia do subserviente é de tal forma sofisticada que "driblar" será uma tarefa que exigirá muita capacidade pessoal, experiência e inteligência. Qualquer sinal de ingenuidade será fatal.

Estava a pensar sobre uma outra característica muito utilizada pelos subservientes: a falsa sofisticação. Em geral a subserviência carrega em sua matriz o peso da sofisticação. Tem a ver com aquela atitude que parece ser, mas não é. O que pretendo dizer com a sofisticação? Tem a ver com a comunicação. A maioria dos que usam a subserviência buscam uma certa estética comunicacional. Preferem medir as palavras, exercem a arte criativa e seletiva. Usam uma dicção favorável e uma falsa elegância contagiante. A comunicação não verbal será num tom de excelência. Em síntese faz de tudo para passar a ideia de uma suposta excelência, mas que na realidade já tem as cartas marcadas e o jogo bem delineado.

Um outro aspeto da sofisticação é a apresentação pessoal. A subserviência é um jogo e manobras com profundas sofisticações. Não se combate a subserviência com simplicidade, será preciso competência e bagagem em diversas dimensões. A ingenuidade é uma das características que a subserviência prefere ter por perto. Uma ilusão da qual se alimenta a subserviência é o controlo. É a ilusão do controlo. Pensando que tudo está nos últimos pormenores, que tudo está em alta linha de comando. Na verdade, é apenas uma ilusão de controlo.

Não podemos esquecer que todo o subserviente é desprovido de carácter e dignidade. Com isso, será facilmente manipulável e tido como uma pessoa fácil de ser descartada. Por não ter raízes profundas e fibra comportamental, não terá como formar bases sólidas para um desenvolvimento pessoal e profissional duradoira de grande impacto.

Todo o subserviente é frágil e incapaz de ser uma referência permanente. Ela se processa num prisma da razoabilidade e senso de insignificância com evidências de sofisticação, mas que na verdade, não passa de uma atitude de alguém com défices profundas.

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SOBRE O AUTOR

Lino Magno

Teólogo, pastor, cronista e colunista de Santiago Magazine

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