Levantamento do embargo e desenvolvimento são prioridades de Francisco em Santo Antão
Política

Levantamento do embargo e desenvolvimento são prioridades de Francisco em Santo Antão

Em ações de campanha na ilha das montanhas, Francisco Carvalho colocou como missão central a resolução do problema da praga dos mil-pés e o levantamento do embargo que afeta a circulação de produtos agrícolas desde 1984. Nesse sentido o candidato a primeiro-ministro assumiu o compromisso de disponibilizar financiamento para “uma investigação profunda, académica e científica”, que permita “encontrar soluções” concretas para o problema, criando condições para que os produtos agrícolas possam “voltar a circular livremente e gerar rendimento para as famílias”.

O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e candidato a primeiro-ministro, Francisco Carvalho, esteve esta segunda-feira, 11, em Santo Antão para um intenso dia de campanha nos três municípios da ilha, culminando com dois grandes comícios-festa, realizados em Ponta do Sol, na Ribeira Grande, e em Porto Novo, marcados por fortes manifestações de apoio popular, mensagens de mudança e compromissos concretos para o desenvolvimento da ilha.

Recebido com batucada no cais de Porto Novo, por homens, mulheres, jovens e idosos que aproveitaram a ocasião para expor preocupações e esperanças, Francisco Carvalho percorreu vários pontos da ilha num contacto direto com as populações. Ao longo do dia, foi visível o ambiente de confiança e recetividade em torno do projecto “Cabo Verde para Todos”, defendido pelo líder do PAICV.

Combate aos mil-pés e levantamento do embargo entre as prioridades

Falando à imprensa no arranque da agenda de campanha, Francisco Carvalho colocou como missão central para Santo Antão a resolução do problema dos mil-pés e o levantamento do embargo que afeta a circulação de produtos agrícolas da ilha, desde 1984.

“Assumimos como missão central para Santo Antão resolver o problema dos mil-pés. É necessário um investimento sério e estruturado. Precisamos disponibilizar financiamento para uma investigação profunda, académica e científica, que nos permita encontrar soluções concretas para este problema”, afirmou o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva.

O líder do PAICV acrescentou que o objetivo passa por criar condições para que os produtos agrícolas da ilha possam voltar a circular livremente e gerar rendimento para as famílias. “Essa deve ser a nossa grande meta. Vamos criar todas as condições necessárias para o levantamento do embargo em Santo Antão”, garantiu.

Críticas à governação do MpD e o “Cabo Verde real”

Francisco Carvalho relacionou, igualmente, o aumento da abstenção eleitoral à falta de cumprimento das promessas políticas, acusando o Movimento para a Democracia (MpD) de governar através de justificações e desculpas.

“As pessoas votam nos políticos para que estes resolvam os seus problemas. Mas quando os políticos chegam ao poder e começam apenas a apresentar desculpas, é óbvio que a população deixa de acreditar”, declarou o candidato a primeiro-ministro.

Durante as suas intervenções nos comícios, o líder do PAICV insistiu na ideia de um “Cabo Verde real”, contrapondo àquilo que considera ser uma visão “pintada” e “cor-de-rosa” apresentada pelo MpD. “Existe um Cabo Verde real. Um Cabo Verde sentido pelas pessoas”, afirmou, apontando dificuldades ligadas ao custo da educação, à agricultura, aos transportes e às condições de vida das famílias.

Aeroporto, novo porto, estradas e saúde entre os compromissos assumidos

Para Santo Antão, o candidato assumiu vários compromissos concretos, entre os quais o estudo de todas as possibilidades técnicas para a construção de um aeroporto da ilha, o alargamento do porto de Porto Novo, a construção de estradas de desencravamento das localidades e melhorias nos serviços de saúde.

“Assumo o compromisso de analisar todas as possibilidades técnicas para o aeroporto de Santo Antão. Assumo o compromisso de avançar com o alargamento do porto de Porto Novo e construir mais estradas para desencravar zonas agrícolas”, declarou Francisco Carvalho.

O líder do PAICV assegurou, ainda, que o seu Governo irá trabalhar com igualdade todas as câmaras municipais do país, independentemente do partido que as governe. “Não iremos discriminar ninguém, porque a população é livre para escolher em quem votar e não pode ser penalizada depois disso”, salientou Francisco Carvalho.

Mais investimentos para Santo Antão

Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, Elisa Pinheiro, defendeu que Santo Antão precisa urgentemente de mais investimentos estruturantes e de um Governo “verdadeiramente amigo do povo”.

“Não é normal que, com todas as potencialidades que Santo Antão possui, continuemos a andar para trás, sem investimentos estruturantes capazes de atrair investimento privado, gerar emprego e fixar os nossos filhos na ilha”, afirmou a autarca.

Elisa Pinheiro denunciou, ainda, aquilo que considera ser perseguição política por parte do atual Governo às câmaras municipais lideradas pelo PAICV. “Sou perseguida todos os dias, sou constantemente espezinhada e quase não recebo apoio do Governo para fazer avançar o município”, acusou.

A autarca pediu mobilização total para as eleições de 17 de maio, considerando que Santo Antão precisa de uma nova etapa de desenvolvimento. “A vitória está nas vossas mãos. Está no voto que cada um irá depositar na urna no próximo domingo”, apelou Elisa Pinheiro.

PAICV quer eleger quatro deputados

Já a cabeça-de-lista do PAICV pelo Círculo Eleitoral de Santo Antão, Rosa Rocha, centrou a sua intervenção na necessidade de mudança política e acusou o atual Governo de abandonar setores fundamentais como a agricultura.

“A principal atividade económica de Santo Antão é a agricultura, a pecuária e a pesca. Se um Governo não consegue compreender isso e deixa morrer as delegações do Ministério da Agricultura, então esse Governo não merece continuar em Santo Antão”, afirmou a também deputada nacional.

A candidata criticou, ainda, o estado das infraestruturas e lembrou várias obras realizadas na ilha durante os governos do PAICV. “É hora de voltarmos a ter um Governo que pensa, elabora projetos e executa em tempo útil”, declarou Rosa Rocha, apelando à eleição de quatro deputados, em seis.

Nova etapa de desenvolvimento

Ao longo dos comícios, os dirigentes do PAICV insistiram na ideia de que Santo Antão possui potencialidades suficientes para se afirmar como uma das principais ilhas do país, mas necessita de investimentos estruturantes, melhor ligação ao resto do arquipélago, apoio efetivo aos setores produtivos e uma governação mais próxima das populações.

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