
Os vinhos Monte Losna evidenciaram-se nas celebrações do 1.º de Maio como produto identitário do Fogo e aposta estratégica para dinamizar a economia local, num ambiente de participação popular, gastronomia tradicional e animação cultural.
Presente na ilha para promover a nova referência da adega, o promotor dos vinhos Monte Losna, Carlos Morgado, explicou que o objectivo foi aproveitar o contexto festivo para aproximar o produto do consumidor.
“Não há melhor palco para promover um vinho do que uma festa onde a gastronomia é tradicional. O vinho combina com a nossa comida, com a nossa cultura e com aquilo que somos enquanto povo”, afirmou.
Segundo disse à Inforpress, o vinho produzido no Fogo “possui características únicas”, resultantes do solo vulcânico e das condições específicas da ilha.
“É um território diferente de qualquer outro. Isso dá identidade ao produto. Por isso, temos de valorizar o que é nosso”, sustentou.
Para muitos consumidores, o vinho começa e termina na garrafa, contudo, concretizou,por trás do produto final existe um processo técnico e demorado.
“O vinho exige tempo e dedicação. É preciso plantar a videira, preparar o terreno, acompanhar o crescimento, fazer a manutenção das vinhas, colher no momento certo, prensar e seguir todos os procedimentos na adega até ao engarrafamento”, explicou.
Segundo a mesma fonte, a produção vitivinícola não é comparável a outras bebidas de fabrico mais rápido, já que depende de ciclos agrícolas e de processos de maturação que podem levar vários anos.
Entre os principais desafios enfrentados na ilha, Morgado apontou a escassez de água, sobretudo fora da zona da Chã das Caldeiras.
Explicou que, naquela localidade, as vinhas beneficiam de um lençol subterrâneo que alimenta naturalmente as plantas, dispensando rega artificial.
Noutras áreas, como Maria Chaves, onde a adega Monte Losna explora actualmente a produção, é necessário maior acompanhamento técnico e fornecimento de água.
“A água é um factor determinante. Sem ela, não há produção de qualidade. É preciso tratamento constante das videiras para garantir boas uvas”, frisou.
A deslocação à ilha coincidiu com a apresentação do “Dente de Ouro”, vinho reserva envelhecido durante três anos em barrica de carvalho, descrito como mais intenso e estruturado.
Está igualmente em preparação o lançamento do “Manécon”, um vinho doce que se encontra em fase de maturação controlada, e de um gin produzido pela adega, ambos previstos para os meses de junho ou julho.
Segundo Morgado, cada produto é pensado para responder a diferentes perfis de consumidores e harmonizar com distintos pratos da gastronomia local.
“A ideia é ter vinhos para todos os gostos, desde os mais leves aos mais intensos. Isso também faz parte da cultura do vinho”, concretizou.
Para aquele responsável, investir na qualidade e diversificação da produção vitivinícola é uma forma de consolidar o vinho do Fogo como símbolo cultural e activo económico relevante para a ilha.
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