
O MpD, em 2016, controlava 20 das 22 Câmaras Municiais e sucessivamente perde o domínio desses executivos municipais até ficar com 07 deles, em 2024. Em sentido contrário, o PAICV que parte de 2 (duas) CMs, em 2016, ascende sucessivamente nas eleições seguintes até chegar a 15 CMs vencidas em 2024. O PAICV mantém as CMs conquistadas e consegue a proeza de tomar, seguidamente, as CMs que estavam sendo administradas pelo MpD, significando dizer que os eleitores percebem o PAICV como melhores administradores do que o MpD. As próximas eleições legislativas de 17/05/26 vão seguir as tendências eleitorais autárquicas observadas desde 2016 ao presente, completando o circuito de derrotas eleitorais do MpD iniciadas no segundo semestre de 2021 nas eleições presidenciais vencidas pelo candidato apoiado pelo PAICV – José Maria Neves, seguido da hecatombe autárquica ventoinha de 2024 e a certeira derrota legislativa mpdista de 2026!
Todos os principais indicadores políticos sinalizam para uma pesada derrota eleitoral do MpD nas próximas eleições legislativas de 17 de Maio de 2026:
1. A avaliação do desempenho do Governo de Ulisses Correia e Silva é muito negativa pelos eleitores, sendo que 39% deles o reprova e 47% aprova, segundo dados do afrobarometer de 2024. Em média, a avaliação positiva precisava estar acima dos 60% para um governo garantir a sua re-eleição uma vez que do conjunto dos eleitores que aprovam um governo, nem todos manifestam a intenção de votar a favor desse partido ou candidato. No caso em concreto em referência, apenas 41% dos que avaliam positivamente o Governo, ou seja, menos da metade (dos 47%) é que expressaram a sua intenção de voto a favor do MpD;
2. O MpD é penalizado pelo seu mau desempenho no Governo (2016-2026), bem como, pelas promessas não cumpridas de emprego, crescimento económico, segurança, melhoria de salários, etc;
3. Um dos fatos político-eleitorais mais relevantes ocorrido recentemente, foi a transição autárquica ocorrida em 2024, em que, pela primeira vez no municipalismo cabo-verdeano, o MpD deixa de ser o partido autárquico hegemónico e o PAICV assume o controlo do comando da maioria das Câmaras Municipais do país com a conquista das 15/22 delas nas eleições realizadas em 01/12/24;
4. Um outro fato político-eleitoral relevante é a erosão eleitoral mpdista: perda contínua e acelerada do eleitorado no principal círculo eleitoral – Praia - Santiago Sul:

5. Com efeito, em 2011, UCS (MpD) tinha 72% de intenções de voto para CMP para as eleições municipais do ano seguinte; nas eleições de 2012 teve 64%; em 2016, o seu imediato, Óscar Santos, (MpD) caiu para 63%; em 2020, o mesmo candidato acelerou a queda para 43% e é derrotado por Francisco Carvalho (46%); na tentativa de tomar a Praia custe o que custar, os ventoinhas através de outro representante de UCS, Abrão Vicente (MpD), cai ainda mais fortemente para 35% dos votos contra 62% de Francisco Carvalho (PAICV). Em 13 anos (2011 a 2024), o MpD despenca de 72% das intenções de voto para 35% de votos em termos relativos e em termos absolutos obteve uma queda de mais de 30.000 votos em 2011 para 14.000 em 2024, números esses reveladores da deterioração eleitoral ventoinha na capital do país que concentra próximo de 100.000 eleitores!!!
6. Segundo os dados do afrobarometer 2024, para 65% dos eleitores, o Governo de UCS (MpD) caminha na direção errada, consequentemente, a maioria dos cidadãos inquiridos se mostram descontentes com as políticas desenvolvidas pelo executivo. Esse descontentamento atingiu internamente o próprio MpD ilustrado pelo afastamento de seus ex-militantes e apoiantes que se apresentaram em outras listas partidárias contra o próprio partido de UCS.
7. O desemprego continua sendo a maior inquietação da população apontado por 24,2% dos eleitores como seu principal problema não obstante a propaganda governamental de melhoria desse indicador;
8. O índice Gini de desigualdade económica em 2015 (no último ano da governação do PAICV) era de 0,42 e passou para 0,49 em 2019 demonstrando uma enorme piora na distribuição da riqueza, isto é, a diferença entre ricos e pobres aumentou fortemente em pouco tempo, situando o país no grupo daqueles que apresentam as piores concentrações de renda no mundo;
9. A escolha do slogan: “Cabo Verde pa frente” é uma turbinagem 2.0 do “sem djobi pa lado”, isto é, como o desempenho do governo é péssimo, o MpD apela para o eleitor esquecer do que ele prometeu e não cumpriu ou realizou deficientemente para só acreditar no que ele irá prometer para ser realizado no futuro em 2030, 2040 e daí em diante!!!
10. Através dos resultados eleitorais autárquicos nacionais de 2016 a 2024 dá para se perceber que os eleitores reprovaram sucessivamente as administrações ventoinhas e aprovaram as tambarinas:

11. O MpD, em 2016, controlava 20 das 22 Câmaras Municiais e sucessivamente perde o domínio desses executivos municipais até ficar com 07 deles, em 2024. Em sentido contrário, o PAICV que parte de 2 (duas) CMs, em 2016, ascende sucessivamente nas eleições seguintes até chegar a 15 CMs vencidas em 2024. O PAICV mantém as CMs conquistadas e consegue a proeza de tomar, seguidamente, as CMs que estavam sendo administradas pelo MpD, significando dizer que os eleitores percebem o PAICV como melhores administradores do que o MpD.
As próximas eleições legislativas de 17/05/26 vão seguir as tendências eleitorais autárquicas observadas desde 2016 ao presente, completando o circuito de derrotas eleitorais do MpD iniciadas no segundo semestre de 2021 nas eleições presidenciais vencidas pelo candidato apoiado pelo PAICV – José Maria Neves, seguido da hecatombe autárquica ventoinha de 2024 e a certeira derrota legislativa mpdista de 2026!
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