
Casimiro de Pina, cabeça de lista independente nas listas da UCID para a região política do Fogo nas legislativas de 17 de Maio, apresenta-se ao eleitorado com um texto contundente e caustico, bem ao seu estilo, atacando a imagem do primeiro-ministro e líder do MpD, Ulisses Correia e Silva, que, a seu ver, “só precisa dos verdadeiros militantes, amigos da democracia e pensadores nos momentos de aperto eleitoral. Vencida a eleição, forma o seu grupinho de lambe-botas e descarta rapidamente todos os outros. É assim que ele ‘governa’. Ulisses trata, hoje, as pessoas do MpD como autênticas mentecaptas”.
A opinião do conhecido jurisconsulto, académico, político das fileiras do MpD e novamente candidato a Presidente da República em 2026, foi partilhada pelo próprio na sua conta na rede social Facebook esta terça-feira, 7, um dia depois de a UCID ter formalizado e anunciado o seu nome como cabeça de lista para o Fogo na qualidade de independente para as legislativas de Maio próximo.
Casimiro de Pina veio hoje esclarecer por que concorre como independente pelas listas da UCID, mas fê-lo desferindo ataques diretos a liderança do MpD, seu partido de base ideológica, com a contundência discursiva que nos habituou.
Logo de início, o político natural dos Mosteiros, chega com tudo: “O MpD é, hoje, uma manta de retalhos, que acolhe bem certos infiltrados do PAICV e pessoas que NUNCA lutaram por coisa nenhuma e caíram no partido ventoinha praticamente de para-quedas. Os exemplos abundam. Aqueles que sempre defenderam os valores da República e da Liberdade têm sido hostilizados no MpD e nunca recebem um tratamento condigno, de acordo com o respectivo mérito, talento e contributo. Não pode ser”, exclama, realçando que “os partidos políticos não podem ser clubes fechados de CASTAS ou amizades de conveniência protegidas por um ‘líder’ fraco. Tentei, repetidamente, trazer um módico de Razão à organização. Não fui ouvido. Desisti, pura e simplesmente, perante tanta ignomínia e desconsideração”.
No entender de Casimiro de Pina, que chegou a exerceu função de conselheiro especial do Primeiro-ministro, UCS, “o MpD ficou tão descaracterizado que até no respectivo Governo certas figurinhas (sem qualquer história nem altura cultural...) caíram, nos últimos tempos, de para-quedas. Literalmente. Surgidas praticamente do nada. Basta o radical oportunismo e, claro, bons contactos. Pimba, e lá estão, jeitosos, como senhores Ministros ou Secretários de Estado, fabricados no altar dos tristes conchavos da política terceiro-mundista!”
“O sr. Ulisses Correia da Silva só precisa dos verdadeiros militantes, amigos da democracia e PENSADORES nos momentos de aperto eleitoral. Vencida a eleição, forma o seu grupinho de lambe-botas e descarta rapidamente todos os outros. É assim que ele ‘governa"’ Ulisses Correia trata, hoje, as pessoas do MpD como autênticas MENTECAPTAS. Não respeita nada nem ninguém. Ridículo. Julga que os outros são meros serviçais. Governa alegremente sob orientações de Pedro Pires, o antigo ditador do PAIGC-CV, a coberto de uma imensa "amizade" que ninguém percebe e, sobretudo, que DESONRA por completo a história, os valores e o significado ideológico profundo do MpD”.
E só piora: “Ulisses é, tristemente, um pequeno déspota que usa a Constituição da República como quer e NÃO respeita minimamente a sua essência. Durante muitos anos, eu, Casimiro de Pina, fiz, publicamente, quando muitos ‘heróis’ deste tempo sombrio estavam ESCONDIDOS, um combate cívico-político exemplar, em prol da Democracia, da Liberdade e do Estado de direito. Está tudo documentado. Fui dos poucos a defender a Liberdade quando isso, diga-se, tinha CUSTOS elevados. Mantive sempre a minha convicção. Mas NÃO posso ser obrigado a aceitar tudo. A ser friamente hostilizado e, como querem alguns, ficar calado e estranhamente satisfeito. Não. Sou filho de boa gente. Tenho aliás um percurso histórico, político, cultural, filosófico e científico que poucos têm neste país. Por isso sei dizer...NÃO. Sei recusar tratamentos indignos e um estatuto, vá lá, de menoridade cultural e política. E não aceito nenhum tipo de nivelamento por baixo. Sempre que for necessário farei, então, o meu próprio caminho, com lucidez, tranquilidade de espírito e inteligência. Não sou vassalo de ninguém”.
Por estas razoes todas, CdP decidiu então abraçar a proposta da UCID e encabeçar a lista do partido democrata-cristão para a ilha do Fogo como independente. “Vou apresentar-me, agora, aos eleitores da minha ilha do Fogo como INDEPENDENTE nas legislativas de 17 de Maio. De cabeça erguida. O povo é soberano e fará a melhor escolha. Quero participar activamente nos debates políticos e procurar, racionalmente, os melhores rumos para esta nação. Estou devidamente preparado e posso, se tiver esta oportunidade, ser um representante QUALIFICADO da minha ilha e de Cabo Verde em geral”.
Porque, defende Casimiro, “o Parlamento não deve ser reduzido a um sonante botequim, como aconteceu, infelizmente, nos últimos tempos, onde qualquer fala-barato destila, sem hesitar, a sua incorrigível ignorância. Podemos fazer algo DIFERENTE. Com sapiência, perspicácia e outra cultura constitucional. Julgo que esta é uma oportunidade que todas as pessoas de boa vontade devem aproveitar. Confio plenamente na sensatez do eleitor cabo-verdiano. Seja aquilo que o povo cabo-verdiano quiser. Espero ser eleito, mas aceitarei a soberana decisão dos eleitores, evidentemente”.
Recorde-se que Casimiro de Pina anunciou no inicio do ano a sua candidatura a Presidente da Republica em 2026. Havia concorrido também em 2021.
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