O líder do MpD está, até ao próximo domingo, nos Estados Unidos da América e, embora a deslocação seja apresentada como agenda do primeiro-ministro, a verdade é que a visita tem todos os indícios de uma ação de campanha, marcada logo após os encontros de Francisco Carvalho com a comunidade cabo-verdiana ali residente. Com uma diferença fundamental: a deslocação da delegação do PAICV foi paga pelo partido; no caso de Ulisses, é o Estado a pagar. Isto é, todos nós (os contribuintes) a financiar a campanha do MpD.
A porta-voz da Comissão Política Regional, Henriqueta Cardoso, sublinhou hoje que as visitas oficiais do primeiro-ministro, num curto espaço de tempo, não foram acompanhadas de inaugurações de obras com impacto real no desenvolvimento da ilha, o que, no seu entender, revela a falta de prioridade atribuída ao Fogo, que não pode ser tratado como ilha de promessas para ganhar votos.
De 2016 para 2021 o MpD perdeu a nível nacional cerca de 12.000 votos, consequentemente, perdeu dois deputados nesta última legislatura (2021-2026). Pelas projeções das sondagens, o MpD continuou perdendo eleitores pós-2021 num volume maior e numa taxa mais acelerada do que perdera entre 2016 a 2021 podendo atingir mais do que o dobro ou triplo do que perdera.
Se queremos um Cabo Verde verdadeiramente desenvolvido e justo, é crucial romper com esse ciclo de promessas vazias e buscar uma política pautada na transparência, na responsabilidade e na verdade. Chega de manipulação emocional em nome de interesses eleitorais — o país precisa de soluções reais, não de ilusões criadas em tempos de campanha, apenas para se manter no poder. Estando claramente o MPD a andar entre Delírios, Distorções e Desconexão da realidade, teremos que resgatar o país para que não caía no abismo e para que seja de facto de Todos.
O secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, Vladmir Silves Ferreira, garantiu ontem no Maio, que o partido já dispõe de uma estrutura política organizada para vencer as eleições legislativas e dar resposta aos problemas da ilha “ignorados pelo MpD”.
O futuro não nasce da obediência. Nasce da coragem. Os partidos terão de aprender a coexistir com quem pensa sem medo, quem fala sem pedir autorização, quem sabe que a política é transitória, mas a verdade não. Essas pessoas não são ameaça à democracia interna! São a sua última reserva de dignidade. No fim, a história não perguntará quem obedeceu melhor. Perguntará quem teve coragem de dizer a verdade quando cada verdade custava uma sanção. E essa pergunta, cedo ou tarde, chega sempre.
O líder do grupo parlamentar ventoinha, Celso Ribeiro, esteve ontem na TCV para um encontro com a diretora Dina Ferreira, manifestando intensão de “estabelecer uma boa relação com este importante órgão da Comunicação Social do Estado”. O que está a ser entendido por jornalistas do canal como um “bonito gesto” de arrependimento. Na memória de todos, está ainda a campanha insidiosa promovida por destacadas figuras do partido do Governo contra a jornalista Dina Ferreira, Celso Ribeiro incluído.