O crescimento do turismo sem uma expansão proporcional das infraestruturas e dos serviços públicos pode trazer inúmeros desafios para a região. Quando as obras realizadas são apenas reativas e, mesmo assim, pouco eficazes, limitam-se a corrigir problemas já existentes, sem prever as necessidades futuras. Esse tipo de abordagem tende a gerar uma sobrecarga ainda maior nos serviços essenciais, como transportes públicos, saneamento e gestão de espaços urbanos, comprometendo tanto a experiência dos turistas como a qualidade de vida dos residentes.
O crescimento do turismo sem uma expansão proporcional das infraestruturas e dos serviços públicos pode trazer inúmeros desafios para a região. Quando as obras realizadas são apenas reativas e, mesmo assim, pouco eficazes, limitam-se a corrigir problemas já existentes, sem prever as necessidades futuras. Esse tipo de abordagem tende a gerar uma sobrecarga ainda maior nos serviços essenciais, como transportes públicos, saneamento e gestão de espaços urbanos, comprometendo tanto a experiência dos turistas como a qualidade de vida dos residentes.
Além disso, quando as obras prometidas não são planeadas para acomodar o aumento do fluxo turístico(,como a asfaltagem na cidade de Santa Maria,) corre-se o risco de criar uma situação insustentável a longo prazo. Investir em infraestruturas que considerem o crescimento do turismo ajudaria a aumentar a capacidade de receção de visitantes e a reduzir o desgaste dos serviços existentes, promovendo um desenvolvimento equilibrado entre o turismo e o bem-estar da população local.
A ausência de um sistema de transportes públicos é uma das falhas mais evidentes no debate sobre o desenvolvimento da ilha e a sua preparação para o futuro. Investir em transportes coletivos é essencial para promover um crescimento sustentável e inclusivo, beneficiando indivíduos, a sociedade e o ambiente. A implementação de um sistema de transporte eficiente melhoraria o tráfego, reduziria acidentes, fomentaria a economia e proporcionaria uma alternativa acessível de deslocação, especialmente para as pessoas com menor capacidade financeira. Sem esse serviço, as desigualdades sociais tendem a agravar-se.
O aumento do número de turistas também gera a perceção, nas outras ilhas, de que o Sal oferece oportunidades de trabalho, atraindo um fluxo migratório interno significativo. Este movimento populacional pode trazer desafios sociais que, embora não sejam originalmente da região, precisarão de ser enfrentados pelas autoridades locais.
Outro problema crítico é a gestão dos resíduos. Em 2018, a frota de recolha de lixo contava com apenas três camiões e, após sete anos e um crescimento substancial da atividade turística e da população, foi adicionado apenas um camião à frota. Atualmente, a ilha produz aproximadamente 200 toneladas de resíduos por dia, e o aumento insuficiente da capacidade de recolha não acompanha as exigências do desenvolvimento regional. A lixeira, cuja resolução já deveria estar em curso, continua sem avanços significativos, demonstrando a falta de políticas eficazes e soluções actuais da câmara municipal do Sal ou do Governo para um destino apelidado de "galinha dos ovos de ouro". Esta situação é alarmante, considerando a meta de Cabo Verde de atrair 1,5 milhões de turistas.
A resposta do sistema de saúde também merece atenção. A perceção atual é de que os investimentos na saúde não resultaram numa ampliação dos serviços nem numa melhoria da sua qualidade. Além disso, a ausência de um hospital adequado e a falta de um avião para evacuação médica, prometido desde 2020, agravam ainda mais a precariedade da assistência.
A falta de planeamento urbano é outra questão evidente, especialmente em Santa Maria, que enfrenta diversos problemas de gestão municipal e governamental. A ausência de sinalização de trânsito adequada, um sistema deficiente de recolha de lixo e a falta de alternativas de mobilidade além do percurso pedonal comprometem a qualidade de vida dos residentes e a imagem da cidade. O turismo de Santa Maria continua concentrado numa única rua, independentemente de haver ou não uma zona pedonal. Devemos transportar a experiência positiva dessa rua para outras áreas da cidade, garantindo, acima de tudo, uma sensação de segurança.
A valorização e a criação de novos pontos turísticos deveriam ser uma prioridade para as autoridades. O miradouro dos Espargos, conhecido como "Radar", é um dos locais mais visitados do Sal e já necessita de um projeto de requalificação para potenciar a sua atratividade. O "filtro de água" da ASA, na entrada da cidade dos Espargos, poderia transformar-se num museu da água, contando a história da sua importância para Cabo Verde. Projetos como esses não só enriqueceriam o destino, como também ajudariam a captar mais receitas dos turistas, reduzindo a dependência do sistema all-inclusive.
É essencial criar condições para que os turistas permaneçam mais tempo na ilha e gastem mais na economia local, promovendo um turismo economicamente viável e sustentável. Contudo, o elevado custo dos transportes nacionais não favorece a diversificação do destino Cabo Verde, limitando o fluxo de visitantes entre ilhas.
Considerar Cabo Verde um “país pobre” não pode ser visto como um desígnio nacional, pois essa visão restringe o potencial turístico do arquipélago. Pelo contrário, o facto de sermos um “país pobre” deveria servir como motivação para criar espaços atrativos, onde os turistas possam investir e contribuir para o crescimento económico.
A expansão do turismo e o consequente aumento da imigração interna trarão novos desafios para a ilha, exigindo uma resposta urgente da sociedade e dos gestores públicos. Até ao momento, não são conhecidos planos específicos para lidar com um fluxo tão elevado de turistas ou projectos para a melhorar o destino , o que reforça a necessidade de um planeamento estruturado e antecipado, com obras e serviços voltados para a sustentabilidade e a qualidade de vida local. Caso contrário, corremos o risco de enfrentar uma sobrecarga insustentável dos recursos e dos serviços existentes.
O Turismo Sustentável promovido pelas Nações Unidas está a ser ajustado em Cabo Verde, ou continua a ser só mais um daqueles slogans bonitos para encher relatórios e agradar a plateia internacional?
Comentários
Zé Manel, 2 de Abr de 2025
Excelente contributo para o desenvolvimento do nosso querido país. Cada ilha deveria ter mais cidadãos participativos assim para ajudar a identificar e melhorar o que não está tão bem
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Evora Da Silva Marcelino, 2 de Abr de 2025
Sabias que durante a fermatura do espaço publico em França devido a covid19 Paris passou a beira de um catastrofe de saude publica. Com toaletes todos feichados as pessoas andam no meio COCAS. ERAM COCAS E FEDOR PARA TODOS OS LADOS.
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