A Rede de Mulheres Parlamentares da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) recomendou esta semana a criação de um fundo para capacitação feminina na transição ambiental e digital, visando reduzir as desigualdades.
"Nós apoiamos as iniciativas de outros países e as recomendações de que temos que criar um fundo para a formação de mulheres e meninas da CPLP nas áreas da transição ambiental e digital", afirmou a presidente do organismo, Maria Edjang Mbengono, no final de uma reunião de dois dias na cidade da Praia.
Esta recomendação assenta numa proposta da deputada do Partido Socialista português Ana Mendes Godinho, que explicou que o objetivo é garantir competências fundamentais para enfrentar desafios globais e combater a desigualdade e a pobreza.
"A transição tecnológica, digital e ambiental pode afetar sobretudo as mulheres se não adquirirem as competências necessárias", alertou Ana Mendes Godinho.
O fundo será coletivo e poderá captar financiamento externo, incluindo da União Europeia (UE).
"Isto é verdadeira cooperação e pode fazer a diferença, garantindo que a formação acontece diretamente nos países da CPLP. Dessa forma, qualificamos e valorizamos o talento das mulheres, dando-lhes ferramentas para enfrentar os desafios da transição ambiental e digital", acrescentou.
Além disso, a rede fechou o encontro na Praia com outras recomendações, como "a criação de uma garantia para a infância na CPLP, de forma a eliminar os ciclos de desigualdade e pobreza", e uma rede que una associações e cooperativas de mulheres, promovendo parcerias empresariais.
Outras propostas incluem uma bolsa de contactos de mulheres políticas, independente de filiações partidárias, para partilha de experiências, e medidas para aumentar a participação feminina nos órgãos de soberania.
A reunião na cidade da Praia serviu para reforçar ações para a igualdade de género e emancipação feminina na CPLP, abordando temas como alterações climáticas.
Estiveram presentes parlamentares de Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Fundada em 1996, a CPLP integra nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
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