
Ao palco subiram artistas nacionais e internacionais, com um fio condutor comum: a língua portuguesa. Em ambiente de celebração cultural, apenas o senegalês Zale Seck foi a exceção linguística, mas salientando a forte ligação entre o Senegal e Cabo Verde.
O cartaz da noite de quarta-feira, 08, do Atlantic Music Expo reuniu nomes como Nara Couto (Brasil), Mindela Soares, Eri Manuel (São Vicente) Dois, Pois (Portugal), Zale Seck (Senegal) e Mark Delman (Cabo Verde), que proporcionaram ao público uma viagem sonora entre os ritmos tradicionais e as novas tendências musicais.
Em declarações à Inforpress, Mindela Soares não escondeu a emoção ao subir ao palco, sublinhando tratar-se de um momento aguardado há muito tempo na sua carreira.
“É um sentimento de muita gratidão. Há muito que estava a trabalhar para este momento, foi mesmo gratificante”, disse a cantora, agradecendo ao público da segunda noite do AME, confessando encarar a música como uma expressão genuína da sua identidade, acrescentando que tudo o que resulta do seu trabalho é recebido de forma positiva.
Por sua vez, o jovem cantor Eri Manuel destacou o peso cultural e simbólico de interpretar géneros tradicionais cabo-verdianos, como a morna e a coladeira, considerando tratar-se de uma responsabilidade acrescida.
“É um compromisso enorme cantar músicas de Cabo Verde, porque têm um valor imenso”, defendeu, revelando que está a preparar um novo single em ritmos de morna. Natural de São Vicente, o artista foi vencedor do concurso Todo Mundo Canta Internacional 2024, avançou, ainda, que o seu próximo objetivo passa por levar a música cabo-verdiana a diferentes palcos e continuar a contribuir para a valorização da cultura do país.
Público cabo-verdiano exigente e acolhedor
Já o projecto português Dois, Pois, formado por Sónia Sobral e Gonçalo Garcia, evidenciou a forte ligação com o público cabo-verdiano, que considerou exigente, mas simultaneamente acolhedor. Segundo o duo, os cabo-verdianos “sabem ouvir música boa” e estão habituados a diferentes sonoridades.
Os músicos destacaram também o desafio que enfrentam ao apresentar o seu trabalho em novos ambientes e latitudes uma vez que nunca sabem como o público vai reagir, mostrando-se igualmente disponíveis para futuras colaborações com artistas cabo-verdianos.
Por seu turno, o músico senegalês Zale Seck, que fez vibrar o público com a sua atuação, mostrou-se rendido à “receção calorosa” do povo cabo-verdiano e à ligação cultural entre Cabo Verde e o Senegal.
“A reação do público foi excelente. Tenho muitos amigos cabo-verdianos e adorei estar aqui”, disse emocionado, acrescentando que esta foi a sua primeira participação no arquipélago, mas que pretende regressar.
A programação da noite contou, ainda, com a participação de Nara Couto, do Brasil, e de Mark Delman, de Cabo Verde, reforçando o caráter internacional e inclusivo do Atlantic Music Expo, que continua a afirmar-se como uma plataforma de promoção de talentos e de circulação musical e cultural do espaço atlântico.
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