
A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Santiago manifesta preocupação com os fenómenos climáticos ocorridos em 2025 e o bem-estar das comunidades urbanas. A CDJP faz um apelo urgente às autoridades centrais e municipais, bem como à sociedade civil, para que todos se unam na criação de infraestruturas adequadas que protejam os centros urbanos de Cabo Verde.
Em nota chegada à nossa redação, a Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP) de Santiago manifesta preocupação pelos fenómenos climáticos ocorridos em 2025, bem como com o bem-estar das comunidades urbanas.
A CDJP expressa um apelo “urgente” às autoridades centrais e municipais, bem como à sociedade civil, para que “todos se unam na criação de infraestruturas adequadas que protejam os centros urbanos de Cabo Verde” dos graves prejuízos que podem ser causados pelas tempestades e chuvas intensas.
“Nos últimos anos, temos assistido a um aumento significativo de eventos climáticos extremos, nomeadamente chuvas intensas que provocam inundações, destruição de bens, prejuízos económicos, perdas de vida e sofrimento humano”, salienta a Comissão Diocesana Justiça e Paz, fazendo referência especial às chuvas intensas de agosto e novembro do passado ano.
Ainda segundo a CDJP de Santiago, “a tendência é que eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes, pelo que é premente que se dê uma atenção particular e prioritária a este tema e, sobretudo, aos impactos desses eventos nos concelhos com maior crescimento da população”, alertando ainda para o facto de que boa parte da população vive em áreas de risco, “em bairros desordenados e habitações edificadas fora de quaisquer planos urbanísticos, construídas nas encostas e leitos das ribeiras, sem qualquer rigor técnico que garanta que não desabam com uma pequena chuva ou tremor de terra”.
“Temos de olhar com atenção a situação atual, sobretudo das nossas cidades, e o Governo e as Câmaras Municipais, juntos, têm de ter a coragem política para eliminar ou, pelo menos, diminuir os riscos de uma nova tragédia. Estes acontecimentos evidenciam a vulnerabilidade das nossas cidades e a necessidade de uma resposta conjunta e eficaz”, enfatiza a CDJP de Santiago.
Políticas públicas que eliminem riscos de tragédia maior
Face à realidade que marcou Cabo Verde, em particular no ano passado, a Comissão Diocesana Justiça e Paz apela aos poderes central e local para “adotarem políticas públicas que, de forma eficaz, eliminem ou, pelo menos, diminuam os riscos de uma tragédia ainda maior, deixando para o efeito algumas sugestões, como sejam: a “criação de mecanismos de alerta de eventos meteorológicos extremos”; a “identificação das áreas de risco”, nomeadamente, habitações construídas em encostas e ribeiras; e a “criação de rotas de fuga e pontos de encontro”, que servirão de abrigo às pessoas.
A CDJP de Santiago sugere, ainda, a “criação de infraestruturas adequadas”, nomeadamente, “sistemas de drenagem eficientes e eficazes de desobstrução dos caminhos da água”, para que seja garantido o escoamento correto das águas pluviais, complementadas com ações de limpeza das ribeiras e, com medidas e soluções que impeçam construções em zonas de passagem das águas pluviais; a “construção de calçadas permeáveis que permitam a infiltração da água e, consequentemente, a redução do caudal das cheias, bem assim a arborização das encostas e a criação de espaços verdes” que possam ajudar na retenção das enxurradas.
A CDJP de Santiago, sublinha que a sociedade civil “deve ser treinada para estar preparada a lidar com situações de catástrofes e tempestades e poder colaborar de forma eficaz com as entidades públicas”, através de campanhas de consciencialização que promovam a cultura de responsabilidade partilhada na proteção do ambiente e dos mais vulneráveis.
Para a Comissão Diocesana Justiça e Paz, “é fundamental que o planeamento urbano seja orientado por critérios de sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente, prevenindo, assim, os impactos negativos das chuvas intensas”, mas também considerando que a proteção das cidades e dos seus habitantes face aos fenómenos climáticos extremos “é uma expressão concreta do cuidado pela casa comum e de promoção da justiça social”.
Foto: Captura de imagem/Youtube
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