Conexões humanas: o antídoto contra a infelicidade e isolamento social
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Conexões humanas: o antídoto contra a infelicidade e isolamento social

A solidão e o isolamento são elementos estressantes, neutralizam qualquer um, atrofiando todo o fluir do nosso estado emocional e felicidade. Quando não temos ninguém para partilhar nossas deceções e tristezas, perdemos o rumo e as respostas possíveis são justamente a dor e pensamentos derrotistas. Com isso, perdemos a capacidade de fazer a melhor gestão das nossas crises internas, gerando tristeza, desânimo e até depressão.

A Universidade de Harvard, entre a mais prestigiada do mundo, demorou 85 anos a pesquisar sobre o que realmente gera a felicidade; o que realmente nos tornam felizes. Este estudo profundo e minucioso sobre a felicidade trouxe uma grande novidade. Depois de um longo e exaustivo processo científico, finalmente a conclusão foi inovadora e de grande impacto.

A chave para a felicidade segundo o maior estudo já feito sobre o assunto, revelações de uma pesquisa há 85 anos. A conclusão surpreendente e contundente sobre essa minuciosa pesquisa, é que a nossa vida seria bem difícil sem relacionamentos sinceros e vínculos humanos profundos.

A pesquisa é o resultado de décadas de um estudo científico, incluindo centenas de participantes. É o estudo mais longo da história, tendo vários participantes, como estudantes universitários dos bairros mais pobres de Boston, com o seu início em 1938, com aproximadamente 700 adolescentes. A pesquisa teve o seu acompanhamento ao longo de suas vidas com seguimento permanente nos aspetos de suas alegrias e dificuldades, considerando o estado físico e mental. Robert Waldinger, professor de psiquiatria na universidade e mestre zen, é o quarto diretor do estudo. Sua palestra de 2015 na plataforma TED teve uma grande repercussão, sendo vista por mais de 40 milhões de vezes. Waldinger deu uma entrevista à BBC News Mundo, explicando por que a qualidade dos nossos relacionamentos é o principal indicador de nossa felicidade e saúde à medida que envelhecemos. E ressaltou que nunca é tarde para revitalizar as nossas relações, construindo relações novas, resultando em conexões profundas e humanas.

Precisamos sem dúvida mudar a nossa forma de vida, repensar que modelo a seguir, considerando a forma tão distante que vivemos.  Marcado pela ausência de conexão emocional forte e relacionamentos sinceros.

Num vazio de relacionamentos profícuos e profundos, a conexão humana genuína resgata a essência e trás de volta a alegria e o prazer de viver. O estudo ainda revela algo surpreendente. As pessoas que desenvolvem um relacionamento mais puro e sincero permanecem fisicamente melhores e mais saudáveis enquanto envelhecem de acordo com Robert Waldinger. Bons relacionamentos ajudam a termos uma boa saúde, contribuindo para um estado equilibrado da pressão arterial e menos propensão para diabetes tipo 2. Ainda o estudo reforça a atenção em como os nossos relacionamentos afetam nossos corpos e mudam a nossa fisiologia. Da mesma maneira como cuidamos do nosso físico, o psiquiatra Waldinger defende, que devemos cultivar também uma 'aptidão social'.

Waldinger  aprofunda ainda mais o seu olhar sobre o assunto, argumentando que o estresse é uma parte natural da vida. Se algo estressante acontecer comigo esta manhã, haverá mudanças em meu corpo, a frequência cardíaca aumentará, minha pressão arterial aumentará. Esta é a chamada "reação de luta ou fuga".

De acordo o psiquiatra, o nosso corpo entra um estado de alerta e risco quando padece de algum stress e volta ao equilíbrio depois que o estado de stresse for embora. Nesse caso, a importância de uma escuta ativa e respostas afetivas positivas, contribuem para mudar a performance emocional, gerando um estado mental saudável. Realmente tudo começa e termina no aspeto que temos vindo a propor: conexões humanas e vínculos interpessoais profundos. Sem esse pormenor a sociedade desaparece e a felicidade deixa de ser uma realidade. Disse alguém: "Nenhum homem é uma Ilha".

A solidão e o isolamento são elementos estressantes, neutralizam qualquer um, atrofiando todo o fluir do nosso estado emocional e felicidade. Quando não temos ninguém para partilhar nossas deceções e tristezas, perdemos o rumo e as respostas possíveis são justamente a dor e pensamentos derrotistas. Com isso, perdemos a capacidade de fazer a melhor gestão das nossas crises internas, gerando tristeza, desânimo e até depressão. No entender do psiquiatra Waldinger, se estamos isolados e sozinhos o corpo permanece em um grau latente de "reação de luta ou fuga". Isso significa que haverá níveis mais altos de hormônios do estresse, como o cortisol, circulando em meu sangue, e níveis mais altos de inflamação em meu corpo. E esses fatores gradualmente desgastam e atacam diferentes sistemas corporais. Dessa forma, o isolamento social e a solidão podem afetar as artérias coronárias e as articulações.

Para terminar, bons relacionamentos nos ajudam a gerir melhor as nossas emoções porque temos alguém para falar sobre o que sentimos e o que se passa no íntimo. Resgatar conexões genuínas é o único caminho para sermos felizes e viver na plenitude. Ignorar esse fato é dolorido, dramático e triste. Infelizmente estamos caminhando num processo difícil em que cada vez mais as pessoas estão distantes uma das outras e os resultados são visíveis. 

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SOBRE O AUTOR

Lino Magno

Teólogo, pastor, cronista e colunista de Santiago Magazine

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