
As Forças Armadas israelitas retomaram os ataques ao Líbano após primeira rodada de negociações, e Hezbollah respondeu com 30 foguetes no norte de Israel. No dia anterior, Beirute e Tel Aviv discutiram possível “paz duradoura” sem incluir o grupo xiita.
O Hezbollah disparou cerca de 30 foguetes em direção ao norte de Israel após dois bombardeios israelitas no sul de Beirute nesta quarta-feira, 15. Os ataques ocorreram no dia seguinte à rodada histórica de negociações em Washington entre Israel e o Líbano, primeira etapa de um ciclo de discussões diretas entre os dois países com o objetivo de alcançar uma paz duradoura. O embaixador de Israel nos Estados Unidos da América (EUA) rejeita a participação da França nessas negociações entre israelitas e libaneses.
Israel prosseguiu nesta quarta-feira com ataques contra várias localidades do sul do Líbano e nesta manhã lançou novo alerta para que moradores da região deixem suas casas. Ataques aéreos “contra o Hezbollah estão em andamento” e o Exército “opera com intensidade na região”, declarou em árabe na rede X (ex-Twitter) um porta-voz das Forças Armadas israelitas, coronel Avichay Adraee.
O militar pediu que os civis se dirijam para o norte do rio Zahrani, situado a várias dezenas de quilômetros da fronteira entre Israel e o Líbano.
Segundo a Agência Nacional de Informação do Líbano (Ani), dois ataques israelitas atingiram nesta quarta-feira dois carros em rodovias a cerca de vinte quilómetros ao sul de Beirute. O primeiro veículo circulava na estrada que liga a capital libanesa ao sul do país na região de Jiyeh. A segunda viatura foi atingida em Saadiyat na mesma região. A agência oficial informou, ainda, que as duas áreas atingidas não são redutos do Hezbollah.
Desde os ataques massivos na passada quarta-feira, 08, que deixaram mais de 350 mortos em Beirute e em outras regiões do país, Israel não voltou a atingir a capital libanesa em decorrência de pressões diplomáticas.
O Hezbollah, por sua vez, disparou cerca de 30 foguetes contra Israel na manhã de hoje, informou à AFP um porta-voz do Exército israelita. O grupo islamista reivindicou, em comunicado, disparos de foguetes contra dez localidades do norte de Israel próximas da fronteira.
O Líbano entrou no atual conflito regional em 02 de março, após disparos do Hezbollah contra Israel, em retaliação aos bombardeamentos israelitas contra o Irão. Até agora, os ataques de Israel contra o sul do território libanês deixaram 2.124 mortos e mais de um milhão de deslocados.
Negociações de paz históricas
As discussões diretas em Washington entre Israel e o Líbano, as primeiras em mais de 30 anos, foram denunciadas pelo Hezbollah.
Israelitas e libaneses aceitaram nesta terça-feira, 14, iniciar um ciclo de negociações diretas para instaurar uma paz duradoura, garantiu o Departamento de Estado dos EUA que sedeou o encontro. O secretário de Estado Marco Rubio indicou que o objetivo é definir um marco para a construção de uma paz duradoura.
“Descobrimos que estamos do mesmo lado e unidos em nossa vontade de libertar o Líbano do Hezbollah, insistiu o embaixador israelita em Washington, Yechiel Leiter, que representou Israel.
Por sua vez, a embaixadora libanesa na capital norte-americana, Nada Hamadeh Moawad, adotou um tom mais cauteloso, descrevendo o encontro como produtivo e solicitando a aplicação do acordo de novembro de 2024. Nunca concretizado, esse acordo previa o desarmamento do Hezbollah.
O grupo xiita foi o grande ausente das negociações. Além de rejeitar as discussões, continuou a atacar Israel ao longo de todo o dia, ao mesmo tempo que os EUA reafirmaram o direito dos israelitas se defenderem contra os ataques do Hezbollah.
Washington rejeitou, ainda, o pedido de Teerão. O regime iraniano considera que o cessar-fogo de duas semanas, atualmente em vigor entre o Irão, Israel e os Estados Unidos da América deve ser aplicado também ao sul do Líbano.
Israel rejeita a participação de França nas negociações
Falando à imprensa no final das negociações diretas entre Israel e o Líbano, o embaixador israeleita nos EUA criticou o papel de França no Líbano. Yechiel Leiter rejeitou a participação francesa nessas discussões.
“É certo que não queremos ver os franceses se intrometendo nessas negociações. Gostaríamos de manter os franceses o mais longe possível de praticamente tudo, especialmente quando se trata de negociações de paz”, declarou em termos pouco diplomáticos o embaixador de Israel.
C/Opera Mundi
Foto: X/@Lacroix_UN
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