
O presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde, Geremias Furtado, exortou hoje os jornalistas cabo-verdianos a manterem-se firmes perante os vários desafios que a classe continua a enfrentar no exercício da profissão.
Em entrevista dada à Inforpress neste domingo, 03, na data em que se assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, exortou os jornalistas cabo-verdianos a manterem-se firmes perante os vários desafios que a classe continua a enfrentar no exercício da profissão.
Citando dados recentes da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, o dirigente sindical indicou que fatores como a precariedade laboral, a autocensura, a fragilidade das redações e as tentativas de intimidação dos jornalistas, continuam a condicionar o jornalismo e a qualidade da informação.
Falta de clareza nas relações com a Justiça
De entre as principais preocupações, o presidente da AJOC referiu a falta de clareza legal no relacionamento entre jornalistas e a Justiça, nomeadamente, no que diz respeito aos artigos 112 e 113 do Código Penal.
“Um diz uma coisa e o outro diz outra coisa, então ficamos aqui sem saber se o jornalista está ou não abrangido pelo segredo de justiça, e isso coloca-nos numa situação em que dependerá do entendimento de cada um”, frisou Geremias Furtado.
A desigualdade no apoio do Estado entre órgãos públicos e privados constitui, também, preocupação da associação sindical, que entende que o financiamento aos meios privados deve ser encarado como uma forma de garantir o pluralismo informativo, enquanto princípio consagrado na Constituição.
“Mais pluralismo significa mais investigações, mais reportagens e uma opinião pública mais esclarecida”, considerou, alertando, por outro lado, que a questão salarial dos jornalistas continua a ser um factor de vulnerabilidade, numa altura em que estes profissionais convivem com a redução do seu poder de compra, "o que os torna mais expostos a pressões".
Fortalecer a luta coletiva por melhores condições no setor
Apesar dos desafios, o presidente da AJOC considerou que Cabo Verde não se encontra numa situação má em termos de liberdade de imprensa na região, mas alertou para sinais preocupantes que exigem atenção.
Geremias Furtado defendeu a necessidade de reforçar a literacia mediática e digital, sobretudo entre os jovens, lembrando que a educação é uma ferramenta importante para combater a desinformação e clarificar o que é notícia do que não é.
O sindicalista reafirmou, ainda, a disponibilidade da AJOC em continuar a defender os jornalistas e apelou a maior adesão dos profissionais à associação, como forma de fortalecer a luta coletiva por melhores condições no setor.
Para assinalar a data, a associação vai divulgar o resultado do Prémio Nacional de Jornalismo, esta segunda-feira, 04, estando prevista uma conferência sobre as “fake news” (informações falsas) e desinformação, em data a indicar oportunamente.
C/Inforpress
Foto: DR
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