
É “pa djobi pa lado” ou é “sem djobi pa lado”? O povo cabo-verdiano, por várias vezes, já deu provas da sua maturidade política, da sua capacidade de decidir e de discernir em momentos extremamente cruciais da vida e da história do país. Mais uma vez, é chamado a agir e a decidir. Tenho a mais profunda confiança e convicção de que, novamente, saberá, em consciência e com a inteligência que lhe é reconhecida, tomar a melhor decisão para o seu destino e futuro. E o melhor destino, neste momento, é confiar no PAICV, em Francisco Carvalho e no seu projeto Cabo Verde para Todos.
O presidente do Movimento “rabentola” utilizou o slogan “sem djobi pa lado” - sem olhar para o lado - há exatamente 10 anos, nas eleições legislativas de 2016.
A minha curiosidade levou-me a pesquisar no Google o seu significado e, em português, a expressão significa, literalmente, “sem olhar para o lado”, indicando foco total, determinação, persistência e marcha em frente, sem distrações com críticas ou obstáculos.
O atual candidato a primeiro-ministro já governou durante longos, penosos e lastimáveis 10 anos, levando-nos a experienciar uma das piores décadas de governação que Cabo Verde já viveu.
O Google disse ainda que a expressão resume a postura de campanha do partido: seguir em frente com o seu projeto político.
Ora, passados 10 anos da governação “rabentola”, em que foi levado, rigorosamente ao pé da letra, o slogan “sem djobi pa lado”, aplicando-se, efetivamente, uma política de não olhar para o lado de quem mais precisa — o povo destas ilhas —, agora resolveu “djobi pa lado”: olhar para o lado. Mas porquê só agora?
Resta saber com que cara irá “djober pa lado” - olhar para o lado - depois de ter prometido 45 mil postos de trabalho dignos e bem remunerados, e não ter cumprido; depois de ter prometido comprar 11 Boeings para Cabo Verde, e não ter cumprido; depois de ter prometido 5 barcos para os transportes marítimos, e não ter cumprido; depois de ter prometido construir um hospital central de referência em Cabo Verde, na Praia, e não ter cumprido; depois de ter dito que 15 anos eram demais para estar no poder e, agora, porque está no poder, querer e vir pedir mais.
Onde está a coerência?
Depois de todas essas promessas, enganou os cabo-verdianos e ganhou dois mandatos, permanecendo no poder durante 10 anos. Quando lá chegou, confrontado com a falta de cumprimento dessas mesmas promessas, lembrou-se de que, afinal, “não existe varinha mágica” e de que “uma coisa é campanha e outra coisa é governar”, aplicando literalmente o slogan “sem djobi pa lado”, focado na mentira e numa política voltada para o seu próprio umbigo e o dos seus mais próximos.
Enquanto isso, a grande massa popular fica a olhar para todos os lados, sem poder satisfazer, muitas vezes, as suas necessidades mais básicas e elementares, colocando em causa a sua dignidade humana. Criou-se, assim, uma cultura de mendigância crónica, de dependência assistencial e, pior ainda, de dependência existencial, em que as dificuldades e vulnerabilidades do povo são exploradas até à exaustão, servindo, neste tempo em que vivemos, para a manipulação da consciência e para a “comercialização” da dignidade humana.
Como é possível que um ex-primeiro-ministro, passados 10 anos, venha agora, depois de falhar completamente com aquilo que prometeu ao povo - na educação, na saúde, nos transportes, no emprego, entre outros setores —, pedir-lhe para “olhar para o lado” - “Pa djobi pa lado” — e seguir em frente, como se nada se tivesse passado, insinuando a memória curta deste mesmo povo e menosprezando a sua inteligência?
O que se passa com o ex-primeiro-ministro, que esteve durante 10 anos “sem djobi pa lado” - sem olhar para o lado -, totalmente focado e determinado, em marcha em frente, sem se distrair com críticas ou obstáculos, e que, de repente, agora vem fazer um apelo ao povo para “djobi pa lado” - olhar para o lado?
Será isto um sinal claro de intimidação perante a força arrebatadora e invencível de um simples “pinton” lá de Ladeira de Vila Nova, querido pelo povo?
Na verdade, as razões apontadas no seu apelo ao povo para “djobi pa lado” não convencem, nem vão convencer quase ninguém. A grande maioria já sabe que, depois de ter sido derrotado por ele e por toda a sua máquina governativa em duas ocasiões e em contextos distintos, com duas vitórias categóricas e retumbantes - nas eleições autárquicas de 2020 e de 2024 -, num contexto completamente “bélico” e de “guerra” aberta, uma terceira derrota está à vista. E é isso que, neste momento, o leva a entrar em pânico.
Quando, publicamente e de forma vergonhosa, não conseguiu conter-se ética e emocionalmente, verbalizando a tomada do concelho da Praia “custe o que custar”, mandou buscar as chaves antes do tempo, acelerando a queda vertiginosa do alto de um precipício que vocês mesmos construíram, diretamente para o fundo de um poço que cavaram durante estes últimos 10 penosos anos da vossa desgovernação.
O “custe o que custar” foi ainda mais longe: não tendo conseguido as chaves pelos meios legais, tentou-se consegui-las por outros meios, fazendo jus, literalmente, ao significado da expressão. Esse episódio em nada fica a dever a um filme que poderia, perfeitamente, ser intitulado “O Assalto aos Paços do Concelho”.
Será que o cansaço e a inoperância de 10 anos a servir-se do suor do povo cabo-verdiano já lhe retiraram o foco e a determinação de seguir em frente? E agora pede que Cabo Verde vá para a frente?
Mas o cansaço tem destas coisas: normalmente, retira o discernimento e bloqueia a capacidade de decidir, de produzir e de construir. Quando assim é, e quando a este ponto se chega, dificilmente se vai em frente, ou a lado algum, “sem djobi pa lado”. Pior ainda: dificilmente se avança sem trocar o comandante e toda a tripulação.
É por isso que o “Homem” entrou em modo de desespero e grita, com a pouca força que ainda lhe resta, pedindo socorro: “Pa djobi pa lado” -para olhar para o lado -, porque já percebeu que está a ser ultrapassado e que as pernas já não aguentam a pedalada para ombrear com um jovem cheio de fôlego, competência, vontade, crença e esperança em construir um Cabo Verde para Todos.
Quando um ex-primeiro-ministro, em pleno exercício das suas funções e faculdades mentais, abre a boca e, no Parlamento Nacional, diz em alto e bom som que os problemas da capital do seu país, a Praia, não são problema seu e que nada têm a ver com ele, está tudo dito.
Está mais do que evidente que precisa de um bom e urgente descanso, porquanto já não há lucidez, não há paciência, não há discernimento e muito menos coerência. O país e o povo não merecem ter, neste momento, um primeiro-ministro neste estado físico e emocional.
Em tudo na vida existe um início e um fim. Existem ciclos que, naturalmente, devem ser respeitados e aceites. Chegou o momento da mudança, da esperança e da confiança na construção de um futuro melhor para o povo destas ilhas e de um Cabo Verde para Todos.
Qual é o seu real receio em relação a Zé de Mário, enfermeiro de Ladeira de Vila Nova? Talvez, como já sabe que não há duas sem três, esteja com receio de mais uma evidente, inevitável e desastrosa derrota.
Então, afinal, senhor ex-primeiro-ministro, em que ficamos?
É “pa djobi pa lado” ou é “sem djobi pa lado”?
O povo cabo-verdiano, por várias vezes, já deu provas da sua maturidade política, da sua capacidade de decidir e de discernir em momentos extremamente cruciais da vida e da história do país. Mais uma vez, é chamado a agir e a decidir.
Tenho a mais profunda confiança e convicção de que, novamente, saberá, em consciência e com a inteligência que lhe é reconhecida, tomar a melhor decisão para o seu destino e futuro.
E o melhor destino, neste momento, é confiar no PAICV, em Francisco Carvalho e no seu projeto Cabo Verde para Todos.
Com este projeto, teremos mais educação, mais saúde, mais mobilidade entre ilhas e interilhas, mais emprego, mais inclusão e menos assimetria social. Enfim, teremos um Cabo Verde verdadeiramente para Todos.
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