
Utilizando recursos públicos e a máquina do Estado, o primeiro-ministro violou ontem o Código Eleitoral ao participar num ato convocado pelo Ministério da Promoção de Investimento e Fomento Empresarial, onde, claramente, a tónica foi centrada na propaganda ao governo e no apelo à continuidade das suas políticas.
Na tarde do último domingo, 12, Ulisses Correia e Silva teve uma “conversa aberta” com jovens na Escola Laranja/Azul, em Ponta d’Água, na cidade da Praia. O ato público, convocado pelo Ministério da Promoção de Investimento e Fomento Empresarial, juntando membros do governo, deputados e altos dirigentes do Movimento para a Democracia (MpD) está a criar grande polémica, principalmente nas redes sociais cabo-verdianas.
A “conversa aberta” sobre formação profissional, estágios profissionais, empreendedorismo e emprego foi, na prática, um ato de campanha eleitoral, com a agravante de ter sido realizado sob a capa institucional de um ministério e pago pelo erário público, onde se fez propaganda do governo e se apelou à continuidade das suas políticas.
O próprio Ulisses não esconde os propósitos da “conversa aberta” ao escrever na página oficial do Facebook – “Primeiro-Ministro, José Ulisses Correia e Silva” – com todas as letras: “O país tem vindo a criar as condições necessárias para transformar esse potencial em oportunidades concretas e é esse caminho que devemos continuar a reforçar. É nisso que temos estado focados: abrir portas, facilitar percursos, criar espaço para que cada jovem possa encontrar o seu lugar, cá dentro ou no mundo.”
Resta saber qual a atitude que a Comissão Nacional de Eleições (CNE), de moto próprio ou empurrada por terceiros, vai adotar e que medidas promoverá para que os recursos públicos não sejam delapidados por interesses privados e impedidos atos de delinquência eleitoral.
Foto: DR
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