As mentiras de Abraão
Política

As mentiras de Abraão

O candidato derrotado à Câmara Municipal da Praia, mentiu aos cabo-verdianos a propósito da retenção pelas alfândegas dos materiais de campanha do PAICV, recebendo a preciosa ajuda da Autoridade Tributária e Aduaneira, que alinhou na falácia. A verdade é que o partido liderado por Francisco Carvalho só hoje recebeu a encomenda, ou seja, vinte dias após a sua chegada a Cabo Verde, dois dias antes do encerramento da campanha eleitoral.

Na última segunda-feira, 11, o ex-ministro e candidato derrotado às eleições autárquicas de 2024, Abraão Vicente, mentiu aos cabo-verdianos a propósito do bloqueio, pela Alfândega da Praia, dos materiais de campanha do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), conforme havia sido denunciado, horas antes, pela deputada e dirigente do PAICV Carla Lima.

Na ocasião, a candidata a deputada nas eleições legislativas do próximo domingo, havia denunciado que, desde cerca de vinte dias, os materiais de campanha do partido permaneciam retidos nas alfândegas, segundo disse, em um processo “marcado por exigências sucessivas de documentos e novas justificações, criando atrasos injustificáveis” ao seu levantamento e adiantando: “sempre que uma exigência é cumprida, surge imediatamente outra”, configurando “um bloqueio burocrático que prejudica diretamente” a campanha do PAICV.

Na ocasião, Carla Lima considerou, ainda, que as instituições do Estado estariam a ser utilizadas “para criar dificuldades” aos adversários políticos do Governo. Uma suspeita que, como se verá, veio a confirmar-se, pela própria Autoridade Tributária e Aduaneira (ATA), através de um comunicado emitido esta terça-feira,12, onde corrobora as afirmações de Abraão Vicente, embarcando na mentira do número seis da lista do Movimento para a Democracia (MpD) em Santiago Sul.

Abraão construiu a mentira em concertação com instituição do Estado

O ex-candidato à Câmara Municipal da Praia, que ficou ainda mais conhecido por, em vésperas das eleições autárquicas, ter organizado uma arruaça à porta dos Paços do Concelho da capital do país exigindo que lhe fosse entregue a chave das instalações, disse serem falsas as denúncias de Carla Lima, adiantando expressamente: “neste momento, a informação que temos é que todo o material de campanha já está na rua”.

Não se ficando por esta informação falsa, Abraão Vicente avançou mesmo com nova falácia: “não sabemos direito, mas a nossa desconfiança é que há uns armazéns já identificados, como aconteceu nas eleições autárquicas”. E para que serviriam esses armazéns, cujos locais não foram avançados? 

O ex-candidato à autarquia da capital, embora também não sabendo direito, resolveu elevar a fasquia da falácia, sugerindo que, na Alfândega, o PAICV teria apenas retidos “materiais desportivos, são materiais de construção, são bens alimentícios, que não são materiais de campanha, são materiais para condicionar o voto”. Mas, mais uma vez, o ex-ministro do Governo de Ulisses Correia e Silva não apresentou qualquer prova.

Para dar alguma credibilidade à narrativa de Abraão Vicente, a Autoridade Tributária e Aduaneira emitiu, logo no dia seguinte (ou seja, ontem) um comunicado alegando que “as mercadorias importadas pelo PAICV que deram entrada nas alfândegas foram devidamente entregues aos respetivos destinatários” - uma afirmação completamente falsa.

Agastada pelos efeitos da denúncia da deputada Carla Lima, a ATA, manifesta-se indignada: “é absolutamente falso todas as publicações e conteúdos divulgados nas redes sociais, fazendo crer que houve bloqueio deliberado ou atuação condicionada por motivações políticas por parte da Alfândega da Praia”.

PAICV só hoje conseguiu levantar os materiais de campanha

O problema da mentira é que tem perna curta. De facto, só esta quarta-feira, 13, é que o PAICV conseguiu furar a teia dos consecutivos bloqueios promovidos pelas alfândegas que, como se percebe, só após o impacto da conferência de imprensa de Carla Lima – e pressionada pela indignação nas redes sociais – é que a instituição pública resolveu alinhar-se, a contragosto, pela legalidade.

A verdade é que a Autoridade Tributária e Aduaneira, em concertação com o candidato do MpD, também mentiu aos cabo-verdianos ao dizer que as mercadorias “foram devidamente entregues aos respetivos destinatários”. Mercadorias essas que chegaram à ilha do Sal a 03 de maio, apenas sendo entregues 20 dias depois aos seus destinatários, com a agravante de bem saberem tratar-se de materiais para uma campanha eleitoral que encerra na próxima sexta-feira, 15.

Como poderá a Autoridade Tributária e Aduaneira justificar que não houve “bloqueio deliberado ou atuação condicionada por motivações políticas por parte da Alfândega da Praia”, se o principal partido da oposição ficou impossibilitado de distribuir, a tempo, os materiais de campanha por todas as ilhas de Cabo Verde?! Esta é a interrogação que fica à consideração pública.

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SOBRE O AUTOR

Redação

    Comentários

    • Casimiro Centeio, 13 de Mai de 2026

      A mentira é o apanágio desses desonestos. Todo o mundo já os conheçe.

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