A companhia aérea Air Macau contratou recentemente nove pilotos cabo-verdianos, entre os quais três comandantes do quadro da Cabo Verde Airlines (TACV). A movimentação está a gerar apreensão no sector aeronáutico nacional, numa altura em que a transportadora estatal enfrenta constrangimentos operacionais e anuncia a abertura de novas rotas internacionais.
Cabo Verde precisa deixar de ser apenas pista de aterragem para interesses externos e tornar-se torre de controlo da sua própria mobilidade. Empoderar cidadãos no setor aéreo é possível. Mas, exige romper com o modelo de concessão passiva e construir uma aviação com alma, técnica e soberana. A aviação cabo-verdiana não precisa de mais improvisos nem de gestores que confundem céu com abismo. Precisa de cidadania crítica, engenharia institucional e coragem para reverter o ciclo de dependência e descontinuidade. Que estas linhas sejam um plano de voo para quem ainda acredita que...
Cabo Verde tem na aviação um dos seus maiores trunfos estratégicos. Com uma geografia que impõe o transporte aéreo como necessidade e com um setor turístico em plena expansão, investir na aviação é investir no futuro. É tempo de transformar a aviação de instrumento em indústria — e de agente de mobilidade em catalisador do desenvolvimento económico e da inserção global de Cabo Verde. 🇨🇻.
Cabo Verde dispõe de todas as condições geoestratégicas, humanas e políticas para se afirmar como hub aéreo regional e como modelo de excelência na aviação civil africana. Mas tal só será possível se a regulação deixar de ser um obstáculo e passar a ser um verdadeiro instrumento de transformação. O país precisa de uma Agência de Aviação Civil ao serviço do futuro — e não presa a um passado de inércia, opacidade e bloqueios.
Em oito anos o país despencou do ilusório e pomposo discurso da criação de "ecossistemas de negócio"; mecanismos de financiamento de toda a espécie; e "dinheiro que nunca mais acaba"; para a dura realidade que é a incapacidade de não ter trazido e mantido um investidor forte e credível para o setor aéreo e, sinal dessa incompetência, é o Governo a assumir agora a criação de uma empresa pública - só com capitais do Estado.
O deputado Démis Almeida declarou hoje, no parlamento, que o país vivencia a “pior situação” nos transportes aéreos domésticos, desde Julho de 1975, devido à “incompetência” do Governo em gizar e executar políticas públicas correctas para o sector.
Os voos da TICV (que opera sob a marca BestFly Cabo Verde) estão cancelados pelo menos até 7 de Maio. A companhia, detida pela BestFly World Wide e onde o Estado cabo-verdiano também detém 30% das acções, não explicou as razões.