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Por: Paulo Varela*

 Paulo Varela

Este fenómeno natural, pode ter várias causas:

1. As espécies marinhas, estão localizadas em habitats próprios, com características e condições, aos quais se adaptam durante os anos de sua existência, encontrando ali as condições ideias para suas necessidades, desde alimentação, temperatura, proteção, luz, oxigénio, potência hidrogenada - PH, essencialmente.

Contudo, com as oscilações térmicas, provocadas pelas alterações climáticas e a perda de vegetação marinha - o fitoplâncton - e o deslocamento de sub-espécies dos quais se alimentam as espécies maiores, dá-se, então, uma rotura no ciclo de alimentação ou no equilíbrio térmico ou ainda pelo desequilíbrio dos demais factores, causando assim, o deslocamento das espécies em massa, procurando novos habitats para compensar o desequilíbrio.

camarão

Assim, ao se aproximar muito da costa, no caso dos camarões, encontrando-se fragilizados pela falta de alimentos e pelo stress térmico, são facilmente arrastados pela crista das ondas e lançados na praia.

Esta 1ª hipótese afasta o perigo da contaminação alertada pelas autoridades de saúde,

Contudo:

2. Existe também a possibilidade de durante o processo de sua deslocação e portanto, procura de alimentos, terem ingerido alguma substância ou alimento incompatível com seu organismo ou hábito alimentar, que lhe possa ter provocado intoxicação e consequente morte. Por isso é preciso saber se deram à terra mortos ou ainda com vida, tendo assim, as autoridades de saúde local, agido corretamente ao desaconselhar o consumo destes crustáceos.

Estas duas hipóteses são as mais prováveis, no meu entender pela experiência dos estudos e conhecimentos de maricultura e gestão de recursos haliêuticos costeiros no Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas.

No entanto, como neste fenómeno, nem tudo é negativo! Estamos perante um excelente indicador: Afinal, temos potencial de produção de Camarão no mar de Tarrafal.

Desafio:

3. Agora é lançar mãos à investigação, encontrar o habitat deste exemplar, identificar/confirmar as causas de seu deslocamento e quiçá introduzir medidas de proteção deste habitat e promover a produção em condições controladas.

O quilograma de Camarão no nosso mercado atinge valores equivalentes a mil escudos.

É preciso saber interpretar a linguagem da natureza e os sinais dos tempos.

* Ambientalista, jurista, pôs-graduando em Direito do Ambiente



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Comentários  

+1 # Rui Freitas 15-02-2019 12:30
Gostei do artigo e suas bases na especulação cientifica das hipóteses mais plausíveis. De facto ainda vivemos no escuro. Camarão tem vindo a dar a costa, nesta mesma tipologia, em diversas outras regiões do arquipélago; pois aqui não é caso isolado. Compreender a origem e magnitude é importante não descartando outras potenciais causas (efeito de mudanças climáticas) como intoxicação por alga marinha tóxica nem a expansão da zona mínima de oxigénio, hoje presentes na região de Cabo Verde, podendo causar mortalidade massiva da forma silenciosa.
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+1 # Parabéns 15-02-2019 05:44
Não sou da área, mas entendi perfeitamente o constante no artigo. Muito esclarecedor e espero que quem tem a competência administrativa na matéria leve em consideração as explanações deste jurista-ambientalista.
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+1 # Manuel Torres 14-02-2019 17:18
Ilustre , Paulo Varela.
Gostei do artigo, essa partilha de conhecimento deixou me com apetite de aprender sobre essa matéria.
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+1 # Mário 14-02-2019 17:13
boa Paulo Varela, excelente alerta. parabéns pelo texto e dicas
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