
O líder do Partido Popular insurgiu-se ontem, na cidade da Praia, com a situação dos transportes marítimos e defendeu a intervenção do Estado no setor, para garantir a qualidade do serviço, a previsibilidade das viagens e justiça no preço dos bilhetes. Amândio Vicente desafiou, ainda, Ulisses Correia e Silva a dar explicações ao país: por qual razão, entre outras, os cabo-verdianos têm de pagar todos os dias dois mil contos à CV Interilhas e, ainda, onde estão as cinco embarcações prometidas pelo primeiro-ministro.
O líder do Partido Popular manifestou esta sexta-feira, 01, na cidade da Praia, preocupação com a situação vivida pelos cabo-verdianos nos transportes interilhas, particularmente os marítimos, que, segundo Amândio Vicente, não têm acompanhado o ritmo de desenvolvimento do país.
O presidente do PP e cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Santiago Sul, questionou mesmo o paradeiro da embarcação que foi anunciada pelo Governo de Ulisses Correia e Silva, para reforçar a frota nacional e levantando dúvidas sobre projetos que, segundo ele, nunca se chegaram a concretizar.
Transporte marítimo tem de voltar ao domínio do Estado
Com o mar por cenário, frente ao porto da capital, o líder do partido sublinhou a importância de um sistema de transporte marítimo eficiente para garantir a mobilidade entre as ilhas e que o setor deveria estar sob o domínio do Estado.
“Defendemos que o serviço de transportes tem de ser nacionalizado, tem de voltar ao domínio do Estado, a propriedade do Estado, definindo objetivos concretos. Objetivos em termos de clientes, de qualidade do serviço, de previsibilidade das viagens e objetivos em termos económicos, de preços dos bilhetes e, também, de recursos humanos, temos de pensar nos recursos humanos que trabalham para por os barcos a funcionar”, destacou Amândio Vicente.
No plano político, o líder dos populares desafiou Ulisses Correia e Silva, que se recandidata à liderança do Governo, a prestar esclarecimentos sobre a estratégia para o setor dos transportes.
“O senhor primeiro-ministro tem muitas coisas a explicar nesta matéria e lanço-lhe um desafio: estamos em tempo de campanha, deve explicar por que os cabo-verdianos têm de pagar todos os dias dois mil contos para a CV Interilhas e, ainda, tem de pagar trinta e um milhões de euros de abono compensatório por um serviço que é, cada vez mais, deficitário”, questionou Amândio Barbosa Vicente, acrescentando: “cinco barcos novos que nunca chegaram, senhor primeiro-ministro, explique aos cabo-verdianos sobre isto”.
Aproveitando o simbolismo do 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, o líder do Partido Popular abordou, ainda, questões laborais, alertando para situações de assédio nos locais de trabalho e perseguições motivadas por convicções políticas.
C/TCV
Foto: Captura de imagem/Youtube
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