O Grupo Parlamentar do PAICV visitou esta sexta-feira, 12, as ribeiras de Santa Cruz afectadas pelas fortes chuvas de Novembro, e denunciou aquilo que considera ser “abandono total” das famílias agricultoras e criadoras, um mês após os danos registados.
O líder parlamentar do PAICV e deputado pelo círculo eleitoral da Brava, acusou o Governo de ter abandonado a ilha. Clóvis Silva apontou o dedo à crise instalada nos transportes, na saúde e no abastecimento de água engarrafada. “Há um sentimento claro de abandono. Falta presença institucional. A população diz que não se sente apoiada por este Governo”, afirmou o deputado.
Comentando o comunicado do Governo sobre a suposta ausência de cobertura da Televisão de Cabo Verde durante uma visita do primeiro-ministro a Santiago Norte, o presidente da AJOC considera tratar-se de mais um ato de intromissão: “Quem deveria dar explicações é a diretora da TCV, que está ilegalmente suspensa. O Governo que vá pedir explicações ao Conselho de Administração, que é o único responsável por esta situação de vacatura”. Geremias Furtado fala, ainda, sobre as “lamentáveis declarações” do diretor da RCV, a “passividade” do Conselho Independente da RTC...
Em visita a Santiago Norte para verificar a dimensão dos estragos causados pelas chuvas intensas, o Grupo Parlamentar do PAICV manifestou ontem solidariedade às populações do Tarrafal, Santa Cruz, Santa Catarina e São Miguel, e defendeu que o Governo deve assumir “responsabilidade plena” e garantir respostas imediatas, como o desencravamento de zonas ainda bloqueadas, bem como medidas estruturantes de médio e longo prazo.
Para o líder parlamentar do maior partido da oposição, Clóvis Silva, o OE2026 confirma “o esgotamento político e a falta de rumo” do Governo do MpD, ao apresentar “um documento sem visão estratégica nem credibilidade económica” no final da legislatura.
O ato público de abertura do novo ano político e parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, presidido por Francisco Carvalho, acontece na próxima sexta-feira, pelas 17:00, juntando a militância e dirigentes no Auditório Nacional, na cidade da Praia, numa primeira largada para disputar o poder em 2026.
É um país a duas vozes aquele que hoje desfilou no Parlamento. De um lado, as oposições que apontam responsabilidades ao Governo pela crise energética, sentida, vivida pelas pessoas comuns; do outro, o partido que sustenta o Governo e nega a existência de qualquer crise, defendendo tratar-se apenas de avarias pontuais...