Um país pequeno, insular, com recursos limitados, não sobrevive sendo gerido por quem trata a política como emprego vitalício. Cada ano desperdiçado com esta farsa é um ano roubado ao futuro. Ou rompemos radicalmente com este modelo exigindo currículos reais, implementando avaliação objetiva de desempenho, expulsando o despreparo técnico institucionalizado ou afundamo-nos irremediavelmente. Não há meio-termo possível. E quando o colapso chegar, os “profissionais da política” estarão confortavelmente reformados ou exilados. Quem pagará o preço?
O futuro não nasce da obediência. Nasce da coragem. Os partidos terão de aprender a coexistir com quem pensa sem medo, quem fala sem pedir autorização, quem sabe que a política é transitória, mas a verdade não. Essas pessoas não são ameaça à democracia interna! São a sua última reserva de dignidade. No fim, a história não perguntará quem obedeceu melhor. Perguntará quem teve coragem de dizer a verdade quando cada verdade custava uma sanção. E essa pergunta, cedo ou tarde, chega sempre.
A sessão solene do Dia da Liberdade e da Democracia, realizada na Assembleia Nacional, foi marcada pela exigência de imparcialidade das instituições, mas também da consideração de que democracia não rima com pobreza, por um lado, com a visão maniqueísta sobre o “bem e o mal”, transformando a solenidade num ato prévio da campanha que se avizinha e apoucando a efeméride que dizem defender.
Hoje, aqui e agora, na nossa querida nação crioula, a pergunta "quem julga os que julgam?" Surge exatamente quando se percebe uma ruptura nesse equilíbrio. Portanto, o "julgamento dos que julgam" é da responsabilidade da própria sociedade (através de seus múltiplos mecanismos de controle) tentando restabelecer o equilíbrio perdido entre os poderes. A tese da não judicialização e não politização é um princípio norteador, um ideal que, quando violado, aciona os freios e contrapesos (checks and balances) do sistema.
...o “governo-sombra”, será apenas isso: sombra. Sem luz, sem corpo, sem futuro. Se quer ser levado a sério, que abandone a ilusão das formas vazias e mergulhe na humildade do trabalho substantivo. Que estude. Que estude muito, os problemas reais do país. Que converse. Que converse muito mesmo e com todos. Que ouça. Que ouça muito mesmo, os sonhos e as inspirações dos cabo-verdianos. E que, a partir daí, aprenda que na política, ao contrário das fábulas, não são as rãs inchadas que conquistam respeito, mas as vozes sábias que sabem onde, quando e porquê cantar. Que os...
Num país diverso como Kabu Verdi, o debate de ideias deve prevalecer sobre o ataque pessoal. Não se constrói uma nação sólida insultando, desumanizando ou desqualificando o outro apenas por pensar diferente. Criticar ideologias, decisões e atos é legitimo e necessário. Atacar o ser, a sua dignidade ou a sua família é inadmissível. Nenhuma divergência política ou ideológica justifica a negação da humanidade do outro.
O Orçamento de Estado para 2026 confirma, mais uma vez, uma tendência preocupante: a comunicação social privada em Cabo Verde está a definhar, e o Governo, consciente do problema, permanece imóvel. Desde 2024 que o sector mantém a mesma dotação orçamental, mas essa verba é drenada quase na totalidade para os órgãos públicos — RTC e Inforpress — enquanto a imprensa privada continua relegada à sobrevivência precária, dependente de um mercado publicitário exíguo e profundamente desequilibrado.