A responsabilidade tem de ser permanente, a prestação de contas tem de ser pública, a solidariedade tem de ser real e não apenas simbólica. Não podemos continuar a viver entre tragédias repetidas e relatórios que ninguém lê. Não podemos continuar a medir o sofrimento conforme a conveniência política. E não podemos continuar a tratar o povo como espectador das suas próprias perdas. Se Cabo Verde quiser ser um país que respeita as suas ilhas, a sua diáspora e a sua gente, terá de começar por uma verdade simples, a água pode cair onde quiser, mas a solidariedade e a...
Ulisses Correia e Silva retoma o discurso de que as crises dos últimos anos, secas prolongadas, a pandemia da covid-19, o impacto da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, a tempestade Erin, foram responsáveis por o país não ter avançado mais, e salienta as áreas mais criticadas pela população, às quais as oposições têm vindo a apresentar propostas. No seu discurso de abertura do debate parlamentar, o chefe do Governo já está com os olhos postos nas legislativas de 2026, repescando promessas antigas e contempladas em anteriores orçamentos.
O presidente do PAICV, Francisco Carvalho, disse esta sexta-feira, 7, que o partido que lidera é chamado a “resgatar” o país nas eleições legislativas de 2026, à margem da abertura do ano político, evento realizado no auditório nacional, na Praia.
É o Banco de Cabo Verde que o diz: a economia cabo-verdiana regista um crescimento de 4,9% no primeiro semestre deste ano, por razão do abrandamento da procura turística externa, mas também pela perda do rendimento das famílias e baixa confiança dos consumidores. É uma desaceleração da economia face aos 7,2% registados em 2024.
O gesto cívico de ofertar um exemplar do Livro a cada um dos titulares dos órgãos de soberania, vindo da sociedade civil, seria uma iniciativa de grande alcance e valia, posto que, no futuro, já ninguém poderia fingir desconhecer denuncias tão graves, feitas com tamanha publicidade, em relação ao mau desempenho do nosso sistema judicial, que já beira falta de integridade técnica e moral. Mesmo assim, se não houver nenhuma reação, então, será legítimo concluir que os principais Magistrados do sistema judicial, incluindo os Venerandos Juízes do Supremo Tribunal e do Tribunal...
São Vicente está no ritmo certo, para quem tem passaporte europeu, cartão de crédito e tempo para selfies. Para o resto, o ritmo é outro: o da fila no hospital, da espera pelo barco, da luta por um salário digno. Mas seguimos. Porque o povo de São Vicente não desiste. E porque há quem ainda acredita que desenvolvimento não se mede em número de cruzeiros, mas em dignidade distruibuida. Porque no fim, o povo continua a esperar, com dignidade, com paciência e com aquele humor que só São Vicente sabe cultivar. Espera pelo barco, pelo médico, pelo emprego, pela transparência.
O povo não está cego. Observa, comenta, sofre e aguarda. Sente que o país caminha sem direção, e que a liderança política se tornou prisioneira do próprio discurso. O governo já não governa: apenas espera. Espera pelo calendário eleitoral, espera pelo desfecho inevitável, espera pelo colapso que se anuncia com o peso da própria evidência. A queda pode não ter data marcada, mas é certa. E quando acontecer, não será silenciosa. Será estrondosa, como costumam ser as quedas de quem acreditou que podia enganar todos o tempo todo. Cabo Verde vive o crepúsculo de um poder que...