
“No Kings”: milhões saem às ruas contra “trumpismo” e expõem rejeição histórica ao autoritarismo da extrema-direita. E recentes pesquisas de opinião, conduzidas pela Quinnipiac University, apontam que a aprovação de Trump caiu para em torno de 38%, com 56% de desaprovação – o pior índice durante o segundo mandato. Uma rejeição especialmente forte entre independentes e moderados.
O governo de extrema-direita de Donald Trump é atingido pela mais abrangente onda de protestos nos Estados Unidos da América (EUA) desde a reeleição em 2024. O último final de semana – sábado, 28 e domingo, 29 – entrou para a história recente como um dos maiores momentos de contestação popular.
Em mais de 3.100 cidades espalhadas pelos 50 estados dos EUA, o movimento “No Kings” (“Sem Reis”) reuniu uma frente de organizações progressistas, sindicatos, grupos de defesa de imigrantes, juventude e ONGs de direitos civis, com estimativas de participação entre 5 e 9 milhões de pessoas em todo o país.
Os protestos não se limitaram aos grandes centros urbanos, como Washington, St. Paul, Nova York ou Los Angeles, a maioria se concentrou em cidades médias e periferias, comprovando uma rejeição de base, dispersa e capilar, que vai muito além da tradicional “bolha urbana” da esquerda e centro-esquerda norte-americana.
A coligação reúne sindicatos de trabalhadores, organizações de imigrantes, juventudes LGBTQ+, movimentos antirracistas e grupos anticapitalistas. Essa articulação permitiu mobilizar desde os bairros operários de Detroit até universidades, construindo uma frente social ampla, que isola os setores conservadores da extrema-direita norte-americanos e desafia a popularidade de Donald Trump.
Alta rejeição comprovada nas ruas
Os principais veículos da imprensa norte-americana apontam que, apenas no sábado, 28, as manifestações se espalharam por todos os estados dos EUA, com dezenas de milhares de pessoas em Nova York, mais de 100 mil em Washington e em torno de 70 mil em St. Paul, ao lado de centenas de protestos menores em Iowa, Nevada, Texas e em estados históricos do republicanismo.
A escala é comparada por analistas a alguns dos maiores ciclos de mobilização da última década, como os protestos de 2017 ou 2020, mas agora com um eixo mais explícito contra o próprio presidente norte-americano.
Recentes pesquisas de opinião, conduzidas pela Quinnipiac University, apontam que a aprovação de Trump caiu para em torno de 38 porcento (%), com 56% de desaprovação – o pior índice durante o segundo mandato. A rejeição é especialmente forte entre independentes e moderados.
O nome “No Kings” resume a reivindicação central do movimento: a oposição a um governo visto como autoritário e antirrepublicano, que concentra poder no executivo. A condução da política externa e as ações internas do governo Trump levaram os manifestantes à terceira onda de protestos, cristalizando a palavra de ordem NO WAR! NO ICE! – contra a guerra e contra a polícia de imigração de Trump – que tem mobilizado os protestos públicos.
As manifestações têm três eixos: contra os ataques ao Irão e a expansão de operações militares sem amplo apoio do Congresso; a política migratória agressiva, com deportações em massa e operações do ICE marcadas por violência – casos recentes em Minnesota tornaram-se símbolos da repressão; e a perceção de que Trump (e extrema-direita) trata o Estado como extensão de interesses pessoais, sem respeito pelas regras e rompendo com o equilíbrio democrático.
Artistas, palco e símbolos mediáticos
A presença de figuras da cultura deu visibilidade e força simbólica aos protestos. Em Nova York, Robert de Niro discursou na marcha que tomou a Times Square, classificando Trump como “ameaça existencial” às liberdades e à segurança. Ao lado dele, estavam o reverendo Al Sharpton e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.
Em St. Paul, o epicentro simbólico dos protestos, o cantor, músico e compositor Bruce Springsteen subiu ao palco no relvado do Capitólio estadual e apresentou “Streets of Minneapolis”, canção nova dedicada às vítimas de operações do ICE. O show reuniu dezenas de milhar de pessoas e foi destacado como um momento emblemático da aliança entre a cultura popular e a resistência. A atriz Jane Fonda também participou de atos públicos do movimento.
A mobilização massiva como sinal de resistência à “política de rei” e à escalada militarista, especialmente na questão do Irão, e a mobilização conseguida reforça a ideia de que os “No Kings” não são um episódio isolado: representam um ciclo global de resistência a políticas autoritárias, militarização da política externa e concentração de poder presidencial.
Os protestos do fim-de-semana entraram para a história como demonstração concreta de que os trabalhadores, jovens e estudantes norte-americanos não aceitam ser governados como súbditos. O recado é claro: “No Kings” – o poder pertence ao povo.
C/Davi Molinari/Vermelho
Foto: DR
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