A comprar votos, Ministério da Família não tem mãos a medir
Política

A comprar votos, Ministério da Família não tem mãos a medir

A entrega de cestas básicas teve, nos últimos tempos, um tal aumento de entregas que o Ministério da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social solicitou mesmo a preciosa colaboração de dois técnicos à direção de orçamento do Ministério da Justiça, para ajudar na cabimentação de todo o processo. Em vésperas de eleições (já é um clássico dos calendários eleitorais), aumentam sempre as doações, a entrega de cestas básicas e outros benefícios sociais tão relevantes para o mercado dos votos.

Um dia antes do encerramento da campanha eleitoral, na cidade da Praia, em particular, mas também em outras regiões do país (correspondendo aos círculos eleitorais mais importantes), tem-se vindo a verificar, nas últimas semanas, um movimento inusitado em estabelecimentos comerciais.

À porta de alguns estabelecimentos, chega a fazer-se fila com pessoas de identificação na mão e funcionários zelosos a verificar nas listas, previamente enviadas pelo Ministério da Família, Inclusão e Desenvolvimento Social, se ali consta o nome do cliente. Dois conhecidos espaços comerciais, no Palmarejo, são as lojas da capital onde parece haver maior afluência para a entrega de cestas básicas que, no mínimo, estão orçadas em dez mil escudos.

Intrigados, os passantes interrogam-se da razão do aumento desta afluência, para mais a meio do mês. E, verificando tratar-se de assistência social, logo se questionam a razão súbita do aumento da pobreza, mas, também de seguida, tomando contacto com a realidade.

Em vésperas de eleições (já é um clássico dos calendários eleitorais), aumentam sempre as doações, a entrega de cestas básicas e outros benefícios sociais tão relevantes para o mercado dos votos. Assim como a entrega de quantias em dinheiro para pagar rendas atrasadas contas de luz, água e por aí fora.

A entrega de cestas básicas teve, nos últimos tempos, um tal aumento de entregas que o Ministério da Família solicitou mesmo a preciosa colaboração de dois técnicos à direção de orçamento do Ministério da Justiça, para ajudar na cabimentação de todo o processo: ou seja, após a carta-convite aos estabelecimentos comerciais, requisições e emissões de faturas até ao pagamento do fornecedor.

Apesar de terem conhecimento, as autoridades parecem assobiar para o lado, de tal modo está normalizado o mercado de compra de consciências da mais irrepreensível democracia do continente africano.

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