Oposições acusam Governo de estratégia eleitoralista e de não ter respostas novas
Política

Oposições acusam Governo de estratégia eleitoralista e de não ter respostas novas

Clóvis Silva (PAICV) acusa o executivo de Ulisses Correia e Silva de adotar uma estratégia eleitoralista ao anunciar eventuais medidas para travar a subida dos preços dos combustíveis. Por sua vez, João Santos Luís (UCID) diz que as medidas apresentadas não configuram respostas novas, defendendo que o Governo deveria atuar de forma preventiva e não apenas em momentos de maior pressão económica.

O líder do Grupo Parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Clóvis Silva, contestou esta sexta-feira, 13, no parlamento, a declaração política apresentada pelo Movimento para a Democracia (MpD), acusando o Governo de adotar uma estratégia eleitoralista ao anunciar eventuais medidas para travar a subida dos preços dos combustíveis.

Clóvis Silva afirmou que o anúncio do Governo surge num momento em que o país se aproxima de eleições, questionando por que razão medidas para proteger os consumidores não foram tomadas anteriormente.

Segundo o líder parlamentar do PAICV, a população cabo-verdiana tem enfrentado uma significativa perda do poder de compra, com os preços dos produtos a registarem aumentos na ordem dos 20 porcento (%), sendo que os alimentos tiveram uma subida de cerca de 27% nos últimos anos.

“Quem hoje ganha o mesmo que ganhava há 10 anos, compra muito menos produtos”, sublinhou o deputado, acrescentando que o Governo de Ulisses Correia e Silva não adotou, durante este período, intervenções suficientes para travar a escalada dos preços.

Clóvis Silva criticou o facto de o primeiro-ministro ter anunciado que o executivo poderá intervir caso o aumento do preço do petróleo, associado a conflitos internacionais e à circulação pelo Estreito de Ormuz, venha a provocar uma subida dos combustíveis no país.

Agir desde já para proteger as famílias

Para o líder parlamentar do PAICV, o Governo deveria agir desde já para proteger as famílias e não apenas anunciar possíveis medidas caso o cenário se venha a concretizar.

Clóvis Silva abordou, igualmente, a questão da energia, acusando o executivo de prometer descontos nas faturas elétricas sempre que se aproximam períodos eleitorais, ao mesmo tempo que são negligenciados aspetos estruturais como a manutenção das infraestruturas e a estabilidade do fornecimento de energia.

O líder parlamentar do maior partido da oposição levantou, ainda, dúvidas sobre a preparação do arquipélago para enfrentar eventuais crises, questionando quais são as reservas alimentares e energéticas de Cabo Verde e defendendo que o país deve apostar numa governação que antecipe problemas, em vez de reagir apenas quando as consequências já se fazem sentir.

Governo não tem respostas novas

Por sua vez, o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática João Santos Luís, contestou, também, a declaração política do MpD, considerando que esta reflete preocupações que têm sido levantadas há muito tempo por sindicatos e pela sociedade, relativamente ao elevado custo de vida em Cabo Verde.

Para o também líder da UCID, as famílias cabo-verdianas enfrentam há vários anos uma pressão crescente nos seus orçamentos mensais, situação que tem sido agravada pela falta de medidas eficazes para mitigar o impacto do custo de vida.

“O que ouvimos aqui foi praticamente uma digressão política que reflete aquilo que a UCID tem vindo a reclamar há muito tempo, que é o elevado custo de vida em Cabo Verde”, afirmou Santos Luís.

O deputado democrata-cristão sustentou que o Governo liderado por Ulisses Correia e Silva não tem adotado medidas suficientes para aliviar as dificuldades económicas das famílias e considerou que as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro não representam qualquer novidade, argumentando que fazem parte das responsabilidades normais de governação.

“As medidas anunciadas pelo senhor primeiro-ministro decorrem de uma ação governativa normal”, frisou João Santos Luís, para quem o executivo está a ser pago para governar, pelo que tem a obrigação de tomar medidas que vão ao encontro das necessidades do país e dos cidadãos.

Para a UCID, as medidas apresentadas não configuram respostas novas, defendendo que o Governo deveria atuar de forma preventiva e não apenas em momentos de maior pressão económica.

“Infelizmente, essas medidas têm sido tomadas somente em momentos de sufoco, quando as famílias já estão sufocadas há muito tempo”, concluiu o líder democrata-cristão.

C/Inforpress

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SOBRE O AUTOR

Redação

    Comentários

    • Casimiro Centeio, 13 de Mar de 2026

      Cabo Verde já " beneficia" de uma torre monumental de argamassa e verguinhas de 150 milhões , paradoxalmente,em época de crises económicas nacionais e internacionais. O Mpd de Ulisses está, por isso, de parabéns por expor realmente o que ele é . Um partido e governo formados por esbanjadores, incompetentes, tiranos e hipócritas!

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