
Nova rodada de negociações em curso hoje em Washington, prevê discutir possível extensão do cessar-fogo e suspensão de demolições israelitas nos vilarejos do sul do país. “Não podemos conviver com uma chamada zona tampão, uma presença israelita onde deslocados libaneses não possam retornar, onde vilarejos e cidades destruídos não possam ser reconstruídos”, disse o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, declarou nesta quinta-feira, 23, que não pode assinar nenhum acordo que não inclua uma “retirada total” das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) do país. A posição foi dada horas antes de mais uma rodada de negociações a serem realizadas em Washington, que preveem debater a suspensão das demolições realizadas pelo regime sionista em vilarejos do sul libanês e uma possível extensão do cessar-fogo temporário em vigor, que não incluiu o movimento de resistência pró-iraniano Hezbollah em suas cláusulas.
“Não podemos conviver com uma chamada zona tampão, uma presença israelense onde deslocados libaneses não possam retornar, onde vilarejos e cidades destruídos não possam ser reconstruídos”, disse Salam, em entrevista ao jornal Washington Post em Paris, onde se encontrou com o presidente francês Emmanuel Macron.
O acordo de trégua de dez dias selado entre Israel e o Líbano foi implementado em 17 de abril e deve expirar neste domingo 26. Apesar disso, as tropas israelitas continuaram atuando em território libanês ao concentrarem as suas ofensivas na região sul. No início desta semana, o ministro da Defesa do regime sionista, Israel Katz, inclusive, anunciou ter instruído seu exército para usar “toda a sua força” no Líbano em caso de “ameaça”, como parte do alegado “direito de autodefesa”.
“Estamos entrando nessas negociações convencidos de que os Estados Unidos são a parte que pode ter influência sobre Israel. O papel deles foi fundamental para alcançar o cessar-fogo, e esperamos que continuem exercendo sua influência sobre Israel”, acrescentou o primeiro-ministro.
A respeito da pauta do desarmamento do Hezbollah, considerada a demanda principal do governo de Israel e dos países do Ocidente, Salam disse que se tratava de um processo, e não de um evento que pudesse ser solucionado instantaneamente. O movimento de resistência libanês, que rechaça as negociações diretas por parte de Beirute, reitera, por sua vez, que tem “o direito de resistir” às forças de ocupação.
O primeiro-ministro libanês acrescentou, na entrevista, que o Líbano não estava fazendo concessões na mesa das negociações. “Não sei o que podemos conquistar com a negociação, mas sei o que queremos”, destacou.
De acordo com o jornal The Times of Israel, da mesma forma como na rodada anterior, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, se reunirá o embaixador israelita, Yechiel Leiter, e a embaixadora libanesa, Nada Hamadeh Moawad, na presença do representante dos Estados Unidos da América (EUA) no Líbano, Michel Issa. Por sua vez, o governo do Líbano também nomeou o diplomata Simon Karam, ex-embaixador nos EUA, para liderar sua delegação nas negociações.
O embaixador de Washington em Israel, Mike Huckabee, também deve participar da reunião, disse um funcionário do Departamento de Estado à agência AFP.
Israel comete mais um crime de guerra
Na véspera da nova rodada de negociações, as autoridades libanesas denunciaram os ataques de Israel contra funcionários da imprensa. As lideranças acusaram o regime sionista de “crime de guerra” após a morte de uma jornalista em um ataque aéreo no sul do país. Morreram na quarta-feira, 22, Amal Khalil, de 42 anos, repórter do jornal Al-Akhbar, e, no mesmo ataque, a jornalista freelancer Zeinab Faraj ficou ferida.
“Israel ataca jornalistas deliberadamente para ocultar a verdade sobre seus crimes contra o Líbano”, declarou o presidente Joseph Aoun. O primeiro-ministro Nawaf Salam também afirmou que “atacar jornalistas e obstruir o acesso de equipas de resgate constitui um crime de guerra”, assegurando que o governo levará o caso a instâncias internacionais.
De acordo com informações da Agência Nacional de Notícias (NNA), Khalil e Faraj se refugiaram em uma casa no município de al-Tiri depois que um carro, próximo ao local onde estavam, ser atingido por um bombardeamento israelita. As duas pessoas no veículo morreram, sendo as vítimas o autarca de Bint Jbeil, ocupada por Israel, e um homem que o acompanhava.
Logo em seguida, um outro ataque aéreo atingiu diretamente a casa onde as jornalistas estavam abrigadas. As equipas de resgate conseguiram retirar Faraj do local, mas, de acordo com os relatos do Ministério da Saúde local, a ambulância que a transportava também foi alvo de novos bombardeamentos. Desta forma, as forças de paz das Nações Unidas (ONU) tiveram de ser acionadas para concluir o resgate. Após várias horas, os socorristas conseguiram ter acesso à área bombardeada e recuperar o corpo de Khalil dos escombros.
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