UASE assinou contrato ilegal com escritório de advogados de antigo primeiro-ministro
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UASE assinou contrato ilegal com escritório de advogados de antigo primeiro-ministro

O ex-coordenador da Unidade de Acompanhamento do Setor Empresarial do Estado, Sandeney Fernandes, usurpou competências do secretário de Estado das Finanças. Alcindo Mota, por sua vez, usurpou competências do ministro das Finanças, Olavo Correia. Neste mar de ilegalidades, Sandeney favoreceu a Carlos W. Veiga & Associados, Sociedade de Advogados, o escritório que o defendeu em um caso de assédio. O contrato, segundo as nossas fontes, terá desagradado ao antigo primeiro-ministro Carlos Veiga, há bastante tempo afastado da gestão corrente do escritório de advogados que, contudo, tem o seu nome.

A regra básica no Ministério das Finanças parece ser a ausência da Lei, saco azul, recursos desviados dos seus fins originais, pagamentos ilegítimos de gratificações a altos quadros, ajustes diretos irregulares, é um sem fim de ilegalidades, tendo como pano de fundo a concordância do secretário de Estado das Finanças, Alcindo Monteiro, que lhes tem dado cobertura.

Hoje, trazemos a público mais uma ilegalidade, inclusive, com claros indícios de peculato, desta feita promovida pelo ex-coordenador da Unidade de Acompanhamento do Setor Empresarial do Estado (UASE), Sandeney Fernandes, entretanto afastado do cargo, que está a ser investigado por alegadas práticas de conduta imprópria, favorecimento pessoal e tráfico de influências no exercício de funções públicas.

Desta feita, está em causa um contrato de “assessoria jurídica especializada” firmado pela UASE com a Carlos W. Veiga & Associados, Sociedade de Advogados, RL, no âmbito do processo arbitral intentado pela CV Interilhas SA contra o Estado de Cabo Verde. Um contrato no valor de 30.680.800$00 (trinta milhões, seiscentos e oitenta mil e oitocentos escudos), com IVA incluído.

Ajuste direto ilegal

Desde logo, deparamo-nos com uma primeira ilegalidade: trata-se de um ajuste direto num valor muito superior ao estabelecido pelo Código de Contratação Pública (CCP), onde se determina que os contratos de prestação de serviços superiores ao valor de 2.000.000$00 (dois milhões de escudos) devem ser sujeitos a concurso público, o que não foi o caso.

A segunda ilegalidade decorre do facto de Sandeney Fernandes não ter legitimidade para assinar o contrato, tão pouco, Alcindo Mota o poderia ter homologado, na medida em que carece de tais atribuições.

Efetivamente, conforme estabelece o CCP, as despesas entre 15 e 20.000.000$00 (vinte milhões de escudos) devem ser homologadas pelo ministro das Finanças; as despesas de 20 a 45.000.000$00 (quarenta e cinco milhões de escudos), pelo primeiro ministro; e, a partir dessa verba, pelo Conselho de Ministros. Ou seja, a homologação do contrato teria de passar, necessariamente, pelo primeiro-ministro, já que ao secretário de Estado das Finanças está vedada a assinatura de contratos acima de 15 milhões de escudos.

Suspeitas de peculato e favorecimento

Segundo as nossas fontes, o contrato em apreço terá criado algum incómodo no próprio vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia. No entanto, quando terá dado conta já era tarde. Mas as suspeitas de alegados peculato e favorecimento persistem.

É que a Carlos W. Veiga & Associados, Sociedade de Advogados, é o escritório que defendeu o ex-coordenador da UASE em um caso de assédio no local de trabalho, o que legitima a nuvem de suspeições que paira sobre a assinatura do contrato.

Ainda segundo as nossas fontes, o contrato – subscrito pelas advogadas Elsa Tavares e Vera Andrade - terá desagradado, também, ao antigo primeiro ministro Carlos Veiga, há bastante tempo afastado da gestão corrente do escritório de advogados que, contudo, tem o seu nome.

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