
O cabeça-de-lista da UCID pelo Círculo Eleitoral do Fogo escreveu hoje que “o MpD parece agora, nos seus comícios, o PARTIDO COMUNISTA da Venezuela, de Hugo Chavez e Nicolas Maduro”. O também pré-candidato à presidência da República, sente-se incomodado por o partido do Governo se cobrir “orgulhosamente de vermelho”. No entanto, em outubro de ano passado havia feito veemente apelo: “Em 2026 vamos ter Ulisses Correia e Silva como Primeiro-Ministro e Casimiro de Pina como Presidente da República”. Na ocasião, ainda Ulisses não era um “pequeno déspota”.
O cabeça-de-lista da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) pelo Círculo Eleitoral do Fogo escreveu esta segunda-feira, 27, na rede social Facebook, que “O MpD parece agora, nos seus comícios, o PARTIDO COMUNISTA da Venezuela, de Hugo Chavez e Nicolas Maduro”, porquanto o terá incomodado que o partido de Ulisses Correia e Silva esteja “Coberto orgulhosamente de vermelho!”.
Descontando a imprecisão histórica, já que a organização política de Chávez e Maduro se chama Partido Socialista Unido da Venezuela e não Partido Comunista da Venezuela, o mais antigo partido político daquele país, aliás, perseguido e ilegalizado por ordem de Nicolás Maduro, o duplo candidato, à presidência e nas eleições legislativas, volta a apontar baterias ao “pequeno déspota”, nem mais nem menos que o ainda primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.
Considerando a “mudança de cor” do Movimento para a Democracia (MpD) um “imenso absurdo e “uma GRAVE ILEGALIDADE”, Casimiro de Pina afirma tratar-se de “uma prepotência sem limites”, acusando, ainda, “os fanáticos e bajuladores do costume” que “batem palmas ruidosamente e dizem, recriando a mística totalitária, o SEGUIDISMO acrítico e o culto de personalidade, ‘Ami ê Ulisses’’’, numa alusão à militância ventoinha que apoia Ulisses Correia e Silva, e acusando ainda primeiro-ministro de ser um “pequeno déspota” que “NÃO respeita nenhuma regra”.
Casimiro de Pina compara mesmo Ulisses a Louis XIV, ao sublinhar a célebre frase do monarca francês: L'État, c'est moi! E, num post publicado ontem, destacou que “a diferença entre o MpD e o PAICV é, hoje, apenas de grau, e está mais nos aspectos da gestão económica”, porquanto, “O resto é pura farsa”, escreveu o advogado também na rede social Facebook.
Insanáveis contradições
No entanto, é muito recente a opinião de Casimiro de Pina sobre o ainda primeiro-ministro, já que, em 22 de outubro do passado ano, escrevia: “Em 2026 vamos ter Ulisses Correia e Silva como Primeiro-Ministro e Casimiro de Pina como Presidente da República”.
Na ocasião, o pré-candidato ao Palácio do Platô e candidato a deputado, de facto, nas eleições legislativas de 17 de maio, dizia ir utilizar todos os seus conhecimentos “adquiridos em décadas de ESTUDOS e reflexões meticulosas, para ajudar a democracia cabo-verdiana e transformar, também, Cabo Verde num país mais Livre, Justo, Sustentável e Inclusivo, sob as regras adequadas do Estado de direito democrático”. Naturalmente (subentende-se), na dileta companhia do presidente do MpD, do qual já foi conselheiro político.
Paralelamente, Casimiro de Pina tem vindo a desafiar os cabeças-de-lista pelo Círculo Eleitoral do Fogo a apresentarem as suas propostas para a ilha, no entanto, o candidato da UCID parece ainda não ter apresentado qualquer ideia, limitando-se, para já, a uma cruzada ideológica.
Foto: UCID
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