Francisco Carvalho convicto que será o próximo primeiro-ministro
Política

Francisco Carvalho convicto que será o próximo primeiro-ministro

Com o líder do PAICV a subir ao palco ao som de Vangelis, num comício sob o lema “Hora de Mudança”, perante os aplausos de uma multidão de apoiantes em Monte Sossego, no Mindelo, o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva não teve dúvidas em afirmar que é o senhor que se segue na governação do país. Uma convicção construída percorrendo o país e sentindo o pulsar da vontade coletiva.

Uma multidão tomou conta de Monte Sossego, no Mindelo, este domingo, 10, em um comício do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) marcado por intervenções de apelo à mudança política em Cabo Verde e fortes críticas ao Governo liderado por Ulisses Correia e Silva.

Sob o lema “Hora da Mudança”, o líder do PAICV e candidato a primeiro-ministro subiu ao palco ao som de “Conquest of Paradise” (Conquista do Paraíso) de Vangelis, começando por afirmar sentir em São Vicente “uma energia diferente” e sair da ilha com a convicção reforçada de que será o próximo chefe do Governo cabo-verdiano.

Na sua intervenção, Francisco Carvalho centrou as críticas na situação económica e social do país, acusando o Movimento para a Democracia (MpD) de tentar “enganar os cabo-verdianos” com estatísticas e discursos que, segundo afirmou, escondem a realidade vivida pelas famílias das ilhas. “Tenho assistido a uma tentativa de transformar este momento numa comédia, mas o que está em jogo é a governação de Cabo Verde e a vida de cada um de nós”, declarou sob os aplausos da multidão de apoiantes.

O líder do PAICV disse que, durante a campanha, percorreu várias ilhas e ouviu relatos de dificuldades enfrentadas por pescadores, agricultores, jovens e famílias com baixos rendimentos. Citou o caso de pescadores da Brava que, segundo afirmou, continuam sem embarcações adequadas para aumentar a produção, agricultores que enfrentam custos elevados da água para rega e famílias que não conseguem suportar as despesas universitárias dos filhos.

Francisco Carvalho voltou a defender medidas como a gratuitidade do ensino superior e da formação profissional, bem como a redução dos custos dos transportes interilhas, propondo viagens de barco a 500 escudos e passagens aéreas a cinco mil escudos entre ilhas. Segundo disse, estas medidas visam, sobretudo, facilitar a mobilidade dos cabo-verdianos, estimular o turismo interno e criar mais oportunidades para os jovens.

“O emprego é o maior programa social que podemos ter em Cabo Verde”, destacou Francisco Carvalho, defendendo em seguida uma aposta forte na pesca, agricultura, criação de animais, indústria e formação profissional como forma de combater o desemprego e reduzir a insegurança.

O candidato do PAICV acusou o MpD de utilizar uma “narrativa enganosa” sobre setores como a saúde e garantiu que um eventual Governo liderado por si irá valorizar médicos, enfermeiros e professores. Francisco Carvalho alertou, ainda, para o aumento da fuga de médicos cabo-verdianos para o exterior, defendendo melhores condições de trabalho e mais oportunidades de formação contínua.

Vigilância no processo eleitoral

Antes da intervenção do candidato a primeiro-ministro, o cabeça de lista do PAICV por São Vicente, João do Carmo, agradeceu a receção recebida nas diferentes zonas da ilha e afirmou acreditar numa “grande vitória” do partido nas eleições legislativas de 17 de maio. O candidato apelou à mobilização dos eleitores, pedindo vigilância no processo eleitoral e a participação ativa dos militantes e simpatizantes até ao encerramento das urnas.

João do Carmo aproveitou, ainda, para destacar o percurso histórico do PAICV, afirmando que o partido teve um papel determinante tanto na conquista da independência nacional como na transformação do país após 2001. O dirigente criticou igualmente a UCID, considerando que o partido “não tem ideologia política” e acusando-o de acolher figuras oriundas do MpD.

Também a mandatária da Juventude da candidatura por São Vicente, Caroline Freitas, defendeu a necessidade de uma mudança política no país, afirmando que muitos jovens estão desacreditados na política por considerarem que ela “serve apenas para pôr a panela ao lume de alguns”.

Caroline Freitas criticou os elevados preços dos transportes interilhas e afirmou que muitos jovens cabo-verdianos não conseguem sequer conhecer o próprio país devido aos custos das viagens.

Ao encerrar o comício, Francisco Carvalho pediu mobilização total para o dia das eleições e deixou uma mensagem de confiança aos apoiantes presentes em Monte Sossego. “Vou de São Vicente com o coração cheio, carregado de energia e com a certeza de que serei primeiro-ministro de Cabo Verde”, concluiu.

Partilhe esta notícia

SOBRE O AUTOR

Redação

    Comentários

    • Este artigo ainda não tem comentário. Seja o primeiro a comentar!

    Comentar

    Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
    O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
    Inicie sessão ou registe-se para comentar.