Pensar Santiago Norte é, afinal, pensar Cabo Verde de forma mais justa, equilibrada e sustentável. É reconhecer que não haverá desenvolvimento nacional pleno, enquanto uma das regiões mais ricas em história, cultura e potencial económico continuar a ser deixada para trás.
A interpelação ao Governo sobre a política nacional de pescas teve o desfecho que já se previa. PAICV e UCID acusaram o executivo de Ulisses Correia e Silva de falta de políticas estruturantes; o MpD devolveu a crítica e acusou as oposições de falta de ideias. O debate parece ter terminado da pior maneira: sem respostas concretas às inquietações do setor, às necessidades reais de quem sobrevive da pesca e do pescado.
Na primeira sessão plenária de janeiro da Assembleia Nacional a União Cabo-verdiana Independente e Democrática confronta o Governo de Ulisses Correia e Silva sobre os acordos de pescas e, nos transportes, sobre as “incertezas” nas ligações aéreas e “irregularidades” nas ligações marítimas. O mote das intervenções da UCID foi dado pela deputada Dora Pires.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde acusou hoje o Governo do MpD de “sucessivos falhanços” nos setores das pescas e dos transportes, considerando tratar-se de uma “década perdida”. Para a deputada Adélsia Almeida, o Governo falhou também na construção das infraestruturas prometidas, como cais, arrastadouros, mercados de pesca e unidades de conservação e transformação do pescado, deixando as comunidades piscatórias “abandonadas”. A parlamentar denuncia, ainda, o que considera ser o “caos” no setor dos transportes.
Falando em nome do Grupo Parlamentar do Movimento para a Democracia, a deputada Elizabete Évora reconheceu haver muitos desafios a contornar e apelou aos cabo-verdianos para procurar as “melhores soluções”. Aludindo aos transportes aéreos interilhas, a parlamentar disse que a bancada do seu partido está “firme e confiante” de que os problemas vão ser resolvidos, mas reconhecendo, contudo, um “quadro recente com avarias e cancelamentos de voos”.
O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago defendeu hoje uma “maior articulação entre o Governo e a autarquia”, sublinhando ser “essencial para garantir um desenvolvimento mais sustentável”. À margem da visita do primeiro-ministro ao concelho, Nelson Moreira queixou-se, ainda, de falta de cortesia institucional do Governo.
"...assistimos a uma transferência sistemática do protagonismo tecnológico para empresas estrangeiras, que capturam a esmagadora maioria dos grandes contratos públicos. Uma análise simples ao investimento do Estado em tecnologia revela que milhões de euros são sistematicamente exportados, sem que os resultados justifiquem esse modelo. Enquanto isso, assiste-se a uma lavagem de marketing deste processo através do uso abusivo da palavra “startup”. Jovens são anestesiados com eventos, visitas imersivas e promessas vagas, enquanto lhes é negado o acesso real ao mercado nacional, um...