Esta é uma jornada urgente, que não deve ser adiada sob pretexto de dificuldades ou resistências, nem deve ser iniciada com medidas avulsas e pontuais introduzidas aleatoriamente no sistema educativo. Se o objetivo é alcançar o destino com segurança e legitimidade, é fundamental iniciarmos já a construção dos trilhos. Esta construção exige reformas estruturais no sistema educativo, do pré-escolar ao secundário, sustentadas por políticas linguísticas formuladas ab initio com clareza de propósito e centradas na valorização das nossas duas línguas - a cabo-verdiana e a...
É a estreia literária do músico português de origem cabo-verdiana. Uma autobiografia emocional de um dos artistas mais reconhecidos da atualidade. Metade de um século passou sobre a independência da sua terra ancestral, altura em que seu pai já emigrara da ilha de Santiago para Portugal. A apresentação do livro acontece a 06 de outubro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
O caso da norma pandialetal ficará na história não como um avanço, mas como um símbolo de como se pode trair uma causa justa com má gestão, arrogância e oportunismo de agentes mal preparados que assumem o poder politico e dão cabo da vida das pessoas e do país. Em vez de fortalecer a nossa língua e a nossa escola, esta governação preferiu manipular processos, afastar críticos e impor soluções artificiais. O resultado não foi a didatização da língua cabo-verdiana, mas a didatização da incompetência política. Cabo Verde merecia mais — e os 50 anos da independência...
O antigo primeiro-ministro, Carlos Veiga, defendeu hoje a necessidade de se rever a Constituição, que completa 33 anos, tornando-a mais flexível para evitar bloqueios institucionais causados pela falta de consensos políticos.
Calhou em sorte estar a banhos quando me tocou por acaso um texto informativo de F. Pratas, publicado no jornal Buala, em meados de agosto (Ortografia do caboverdiano: ciência, identidade, e respeito pela diversidade) em que, de passagem, e de forma implícita, se tenta enxovalhar o meu nome, junto com os do Grupo de membros da Comissão Científica da ALMA-CV em Portugal (CC) que apresentou um parecer sobre o Manual de Língua e Cultura Cabo-verdiana do 10º ano. (Falaram-me de uma entrevista posterior, na Inforpress, no mesmo teor acusatório, ofensivo e grosseiro, cuja leitura remeti para...
...o crioulo cabo-verdiano está vivo e vibrante. Mas impor-lhe um padrão artificial, “laboratorial”, sem trabalhar o preconceito muito baseado no chamado bairrismo entre ilhas e regiões vai desembocar sempre em situações em que alguém vai conseguir demonstrar que o padrão se baseia e se parece mais com uma variedade de uma região do que de outra. Poderia ter um efeito semelhante ao do occitano: dividir em normas concorrentes, afastar os falantes, e fragilizar a própria apropriação da língua.
"Cinquenta anos depois da independência, a língua portuguesa deixou de ser herança colonial para se tornar património nacional. Usá-la é hoje um gesto de soberania cultural, e não de submissão histórica. Na literatura, na música, no ensino, nas instituições, nos palcos internacionais Cabo Verde fala português com alma crioula. E é exatamente nessa fusão que reside a sua força singular."