EUA: Responsável do Contra Terrorismo demite-se em protesto contra a guerra
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EUA: Responsável do Contra Terrorismo demite-se em protesto contra a guerra

Isolado interna e externamente, metido no atoleiro de uma guerra onde está a ser humilhado, Donald Trump vê a vida andar para trás. A demissão do diretor do Centro Contra o Terrorismo dos EUA, Joe Kent, é o mais recente revés do inquilino da Casa Branca.

O diretor do Centro Contra o Terrorismo dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Kent, até agora um dos homens de confiança de Donald Trump, apresentou esta terça-feira, 17, hoje a sua demissão em protesto contra a guerra que o país e Israel travam contra o Irão.

"Não posso, em boa consciência, apoiar a guerra que se trava no Irão. O Irão não representava qualquer ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso 'lobby' nos Estados Unidos (EUA)", escreveu Kent em carta dirigida a Trump.

O Centro Nacional Contra o Terrorismo, que pertence ao Gabinete dos Serviços Secretos dos EUA, é um organismo criado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, para compilar informação sobre o terrorismo internacional.

Em sua missiva, Joe Kent - um veterano do exército norte-americano - recordou que Trump fez campanha com a plataforma "America First ("A América Primeiro")", alegando que "as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que custou aos Estados Unidos vidas preciosas" dos seus soldados e reveses para "a prosperidade" do país.

O diretor demissionário acusou, ainda, altos responsáveis israelitas de orquestrarem "uma campanha de desinformação" para justificar a ofensiva contra o Irão, "a mesma tática que os israelitas usaram" para arrastar os Estados Unidos para a "desastrosa guerra do Iraque".

O momento de agir com coragem é agora

"Rezo para que reflita sobre o que estamos a fazer no Irão e para quem estamos a fazê-lo. O momento de agir com coragem é agora. Pode mudar o rumo" dos acontecimentos, escreveu Kent na carta dirigida ao presidente norte-americano.

As críticas ao atoleiro de uma guerra onde está a ser humilhado, cavou o isolamento interno e externo de Donald Trump e tendo como consequência, até agora, a morte de pelo menos 13 elementos das forças armadas, a destruição das suas bases militares e sistemas de radar no Médio Oriente, fazendo, ainda, subir os preços dos combustíveis, está a provocar fortes críticas, inclusive entre vozes próximas, como é o caso do jornalista Tucker Carlson, para quem o conflito contradiz a promessa de campanha do republicano em se concentrar em questões internas e manter o país fora de guerras no estrangeiro.

Trump ataca Kent

Reagindo à demissão do diretor do Centro Contra o Terrorismo, Trump chamou Joe Kent de fraco, acrescentando que "quem não considera o Irão uma ameaça deve sair" e acusando-o de ser "fraco em matéria de segurança".

"Parecia ser bastante simpático, mas quando li a declaração dele concluí que ainda bem que saiu, porque disse que o Irão não era uma ameaça", declarou o presidente norte-americano, acrescentando que quem "faz uma afirmação dessas" não "pode ser uma pessoa inteligente nem perspicaz".

C/SIC Notícias
Foto: Facebook/ Joe Kent

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Redação

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