
O candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva disse que, em 2021, o Governo apresentou um avião como solução, mas “desapareceu” no dia seguinte após as eleições. “Agora voltamos a ver anúncios que não correspondem à realidade. Isso é um desrespeito para com os cabo-verdianos”, disse o líder do PAICV que, ontem, esteve na Ribeira Grande de Santiago e em São Lourenço dos Órgãos, apresentando as suas propostas de governação.
O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Francisco Carvalho, acusou esta segunda-feira, 04, o Governo de recorrer a anúncios “sem correspondência com a realidade” a poucos dias das eleições legislativas de 17 de maio.
Durante ações de campanha na ilha de Santiago, o candidato a primeiro-ministro criticou diretamente a recente retoma anunciada de voos para o Brasil e Estados Unidos da América, considerando tratar-se unicamente de uma estratégia eleitoralista.
“É fundamental reconhecer que o sistema de transportes no país não está a funcionar bem. Foram anos de promessas e falhas”, afirmou Francisco Carvalho, lembrando episódios anteriores.
“Em 2021, apresentaram um avião como solução, mas desapareceu no dia seguinte após as eleições. Agora voltamos a ver anúncios que não correspondem à realidade. Isso é um desrespeito para com os cabo-verdianos”, elucidou o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva.
O líder do PAICV, que esteve em ações de campanha na Ribeira Grande e em São Lourenço dos Órgãos, afirmou que a sua experiência recente no terreno, marcada por desafios a nível dos transportes, reforça essa perceção. “Se dependêssemos da resposta do Governo, não teria sido possível chegar a todas as ilhas de Cabo Verde”, declarou, sublinhando que teve de recorrer a embarcações de pequena dimensão para cumprir a agenda de campanha.
Francisco Carvalho deixou um agradecimento às tripulações marítimas das pequenas embarcações privadas. “Foram elas que nos permitiram fazer ligações essenciais entre ilhas e cumprir o nosso programa”, referiu, afirmando que, como alternativa de governação, assume um compromisso concreto de trabalhar para que “todas a ilhas de Cabo Verde tenham, pelo menos, uma ligação aérea e uma ligação marítima por dia”.

Cidade Velha: pesca, saúde e turismo como prioridades
A “Onda Amarela” iniciou o dia na Ribeira Grande, com passagens por São Martinho, Cidade Velha, Gouveia, Salineiro e Porto Mosquito, onde o candidato a primeiro-ministro reforçou a sua abordagem de proximidade. “Faço política olhando as pessoas nos olhos, ouvindo os seus sonhos e os seus problemas, para depois assumir compromissos concretos”, afirmou o líder do PAICV.
Entre as prioridades apontadas estão o reforço da pesca, com criação de infraestruturas de apoio, gelo, conservação de pescado e melhores condições de trabalho, bem como o apoio à agricultura e criação animal, incluindo o financiamento.
Na saúde, destacou uma lacuna estrutural: “já está na hora de a Cidade Velha ter um centro de saúde de qualidade que responda às necessidades da população”. O turismo surge como outro eixo estratégico, com críticas à atuação do executivo. “Estamos a falar de um património mundial que precisa de ser valorizado e bem cuidado”, defendeu, garantindo a articulação com o poder local e assumindo que irá trabalhar com todas as câmaras municipais de forma igual, “independentemente da cor partidária”.

São Lourenço dos Órgãos: aposta no turismo rural e formação
Durante a tarde, a comitiva seguiu para São Lourenço dos Órgãos, onde o candidato à sucessão de Ulisses voltou a destacar o potencial do turismo rural como motor de desenvolvimento económico. “Há muito que se fala da necessidade de diversificar o turismo. Agora, é hora de agir”, afirmou o líder do PAICV, defendendo medidas com impacto direto na vida das famílias. “Queremos um turismo que gere rendimento real, nas casas, nos bolsos e nas mesas das pessoas”, pontuou, elencando iniciativas como a revitalização do centro histórico de São Jorge, a valorização de caminhos vicinais e a promoção do desenvolvimento em Longueira.
No plano social e económico, Francisco Carvalho destacou a criação de uma escola técnico-profissional nas áreas da agricultura e pecuária, construção de um estádio municipal para a juventude e requalificação urbana de João Teves.
Por sua vez, o presidente da autarquia, Euclides Cabral, manifestou apoio ao candidato, defendendo maior articulação entre o Governo e os municípios. “Queremos um primeiro-ministro disponível para trabalhar connosco e com as populações”, afirmou o autarca, criticando a falta de cooperação institucional, fruto das políticas do Movimento para a Democracia (MpD), partido no poder.
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