
O vice-presidente iraniano disse ontem que países que apoiam agressores sofrerão o “mesmo destino”. Esmail Saghab Esfahani respondia a Donald Trump que, numa entrevista a um canal de televisão norte-americano, avançou com uma nova bravata, ameaçando o Irão de “entrar em colapso e explodir”.
O vice-presidente do Irão, Esmail Saghab Esfahani, declarou no domingo, 26, que Teerão responderá com força a “qualquer ato de guerra” e que sua resposta multiplicará “por quatro” qualquer dano à sua infraestrutura petrolífera.
Saghab Esfahani respondeu ao presidente dos Estados Unidos da Améria (EUA), Donald Trump, que disse à Fox News que a infraestrutura petrolífera do Irão tem “cerca de três dias” restantes antes de “entrar em colapso e explodir” devido ao bloqueio imposto pelo presidente norte-americano aos portos e navios iranianos.
“Se alguma de nossas infraestruturas, incluindo poços de petróleo, for danificada como resultado do bloqueio, garantiremos que os países que apoiam o agressor sofram o mesmo destino quatro vezes”, escreveu o vice-presidente iraniano em sua conta no X (ex-Twitter), em resposta a Trump.
Em declarações à Fox News, Trump reiterou afirmações anteriores, referindo-se aos supostos sucessos de sua operação contra a República Islâmica. “Eles não têm mais Força Aérea, não têm mais Marinha… Não têm mais equipamentos antiaéreos. Não têm mais equipamentos de radar. Tudo foi destruído”, disse o inquilino da Casa Branca que, contudo, tem sofrido derrotas consecutivas na sua cruzada contra o Irão e caído em descrédito internacional.
Segundo Trump, que não especificou à Fox a fonte de seus números, as fábricas de mísseis do Irão sofreram danos de “aproximadamente 75 porcento (%)” e “sua capacidade de fabricar drones sofreu danos entre 80 e 82%”.
No entanto, mesmo com o bloqueio marítimo dos EUA, a Marinha iraniana mantém o controlo do Estreito de Ormuz. E o governo de Teerão deu um passo firme para consolidar seu controlo sobre a hidrovia ao confirmar a cobrança das primeiras taxas de trânsito. Na passada semana, também começou a implementar isenções de portagem para países “amigos”, destacando a Rússia como um dos principais beneficiários do acordo preferencial.
Segundo dados de empresas de análise de dados marítimos, a República Islâmica conseguiu contornar as restrições utilizando o porto estratégico de Jask, no Golfo de Omã, cujas reservas atingiram o nível recorde de 5,8 milhões de barris.
Segundo essas fontes, o fluxo de petróleo iraniano para a China permanece estável, atingindo uma média de 985.000 barris por dia durante a primeira quinzena de abril.
Ninguém leva a sério declarações de Trump
A própria comunidade de inteligência dos EUA refuta as alegações de Trump. Neste mês de abril, os serviços de inteligência alertaram que o Irão está conseguindo reativar, em questão de horas, bunkers e silos subterrâneos de mísseis danificados por ataques aéreos dos EUA e de Israel.
O jornal The New York Times, citando relatórios classificados de inteligência e fontes anónimas próximas a esses documentos, afirmou que o Irão mantém uma parte significativa de seu arsenal.
Por sua vez, na última sexta-feira, 24, o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, general Reza Talai-Nik, afirmou que uma parcela significativa da capacidade de mísseis do país permanece sem uso após 55 dias de conflito, incluindo 40 dias de confronto militar direto e quinze dias de cessar-fogo.
Na última terça-feira, 21, Trump prorrogou unilateralmente o cessar-fogo e anunciou a partida de seus enviados à capital do Paquistão, Islamabad, para possíveis negociações com o lado iraniano, embora tenha cancelado a viagem no sábado, depois que o Irão reiterou que não haverá diálogo direto enquanto o bloqueio estiver em vigor, o qual Teerão denuncia como uma violação do direito internacional e um ato de guerra.
As cartas do Irão e as cartas dos EUA
Em uma publicação em sua conta no X, neste domingo, o presidente do parlamento do Irão, Mohammad Baqer Qalibaf, comparou o “jogo de cartas económico” entre a nação persa e os EUA em resposta às repetidas alegações de Trump de que saiu vitorioso.
“Eles se gabam das cartas. Vejamos as cartas da parte que oferece [Irão]: o Estreito de Ormuz (já foi parcialmente jogado); o Estreito de Bab El-Mandeb (ainda não foi jogado); os oleodutos (ainda não foram jogados)”, escreveu Qalibaf.
“As cartas do demandante [EUA]: injeção de reservas estratégicas de petróleo para gerir o mercado (já jogada); gestão do consumo e redução da procura de petróleo (parcialmente jogada); e, agora, uma espera passiva pela subida dos preços”, acrescentou o presidente do parlamento iraniano.
Por último, referindo-se às limitações económicas dos EUA, Mohammad Baqer Qalibaf concluiu ironicamente: “A essa lista, eles deveriam acrescentar o aumento da demanda de energia para as férias de verão, a menos que decidam cancelá-las nos Estados Unidos.”
Preços do petróleo sobem devido ao impasse nas negociações
O petróleo subiu nos mercados asiáticos nesta segunda-feira, 27, enquanto o futuro das ações norte-americanas caíram, à medida que as negociações paralisadas entre os EUA e o Irão prolongam a interrupção das exportações de energia do Médio Oriente e continuam a afetar as previsões económicas.
Os contratos futuros do petróleo bruto Brent, referência internacional, subiram mais de 2%, atingindo a máxima de três semanas de 107,97 dólares por barril no início do pregão asiático, uma alta que intensifica as preocupações inflacionárias que levaram os investidores a praticamente reduzir as taxas de juros este ano. Neste domingo, o petróleo bruto dos EUA também subiu mais de 2%, para 96,63 dólares.
Num cenário de restrições no fornecimento de energia, aumento de preços e incertezas, companhias aéreas de todo o mundo começaram a cancelar voos. Uma das maiores companhias aéreas do mundo, o Grupo Lufthansa, anunciou na passada semana que irá cortar 20.000 (vinte mil) voos de curta distância em toda a sua malha aérea até outubro.
C/Opera Mundi
Foto: DR
Os comentários publicados são da inteira responsabilidade do utilizador que os escreve. Para garantir um espaço saudável e transparente, é necessário estar identificado.
O Santiago Magazine é de todos, mas cada um deve assumir a responsabilidade pelo que partilha. Dê a sua opinião, mas dê também a cara.
Inicie sessão ou registe-se para comentar.
Comentários