Num verdadeiro Estado de direito democrático, a justiça não escolhe alvos nem atua em função de calendários eleitorais. Quando isso acontece, deixa de ser justiça e transforma-se em instrumento político. É essa a perceção crescente de amplos setores da sociedade cabo-verdiana: a de que a PGR, ao invés de servir exclusivamente a Constituição e a legalidade, está a ser instrumentalizada para proteger o poder instalado e neutralizar quem defende um Cabo Verde mais justo, mais solidário e verdadeiramente inclusivo.
O Orçamento de Estado para 2026 confirma, mais uma vez, uma tendência preocupante: a comunicação social privada em Cabo Verde está a definhar, e o Governo, consciente do problema, permanece imóvel. Desde 2024 que o sector mantém a mesma dotação orçamental, mas essa verba é drenada quase na totalidade para os órgãos públicos — RTC e Inforpress — enquanto a imprensa privada continua relegada à sobrevivência precária, dependente de um mercado publicitário exíguo e profundamente desequilibrado.
Em declarações reproduzidas por um órgão de comunicação social no início desta semana, Karine Miranda tenta tirar proveito de uma decisão judicial que, ao contrário do que diz, não dá razão ao conselho de administração sobre o mérito do processo disciplinar contra a jornalista Dina Ferreira, que, aliás, ainda não foi julgado. A PCA não percebeu a diferença entre providência cautelar e processo principal, tendo-se socorrido de meias verdades para justificar um processo disciplinar que é injustificável à luz da razão e da própria lei. A este propósito, ouvimos um...
A acusação é de Hipólito Barreto, no balanço da visita ao círculo na ilha do Chiquinho. Transportes, expansão do porto, saúde, agricultura, agropecuária e energia estão na órbita das críticas do parlamentar eleito pelo círculo de São Nicolau, considerando que a ilha precisa de um Governo com “sentido de Estado”, que coloque “as pessoas e a população como centro de atenção”.
Asseclas do partido do Governo persistem numa linha de ataques pessoais, de tentativas de assassinato de carácter a opositores e de perseguição a jornalistas, que deram errado no passado. Do ponto de vista do marketing político, trata-se de uma estratégia comprovadamente equivocada. E, se as eleições estão no papo, quais as vantagens de dizer que o líder do principal partido da oposição está de rastos, dando-lhe uma exposição pública que, certamente, ele muito agradece? E, já agora, por qual razão retomar velhas promessas requentadas e nunca cumpridas? Será que pensam que os...
Hoje há muito mais liberdade e espaço para qualquer cidadão opinar. Certo. Mas nunca a livre opinião feriu tão profundamente a própria democracia como acontece nos tempos hodiernos, em que tudo está atrelado aos avanços tecnológicos e à tirania das redes sociais, onde a velocidade dos boatos e da desinformação encontrou terreno fértil. A opinião, antes privilégio de elites intelectuais, académicas e políticas, tornou-se uma mercadoria vulgar, distribuída à velocidade de um clique e consumida sem qualquer mediação crítica.
Comentando o comunicado do Governo sobre a suposta ausência de cobertura da Televisão de Cabo Verde durante uma visita do primeiro-ministro a Santiago Norte, o presidente da AJOC considera tratar-se de mais um ato de intromissão: “Quem deveria dar explicações é a diretora da TCV, que está ilegalmente suspensa. O Governo que vá pedir explicações ao Conselho de Administração, que é o único responsável por esta situação de vacatura”. Geremias Furtado fala, ainda, sobre as “lamentáveis declarações” do diretor da RCV, a “passividade” do Conselho Independente da RTC...