O silêncio político da juventude cabo-verdiana não é um fim. É um sinal. Um sinal de alerta e, simultaneamente, uma oportunidade. Se for compreendido e enfrentado com seriedade, pode tornar-se o ponto de partida para uma democracia mais inclusiva, vibrante e à altura das novas gerações. Ignorá-lo, pelo contrário, seria aceitar uma democracia que fala cada vez menos com quem mais tempo tem para a viver.
O primeiro-ministro deu hoje no Parlamento a imagem de um país onde a economia está a crescer e que o Governo vai continuar a promover “políticas de emprego, de proteção e inclusão social” para reduzir “ainda mais, o desemprego e a pobreza” e “aumentar a qualidade de vida dos cabo-verdianos”. Uma imagem de país que se contradiz com aquele outro que parece não sentir no bolso uma economia em crescimento.
O discurso governamental sobre políticas fiscais em Cabo Verde é otimista, mas pouco profundo. As receitas fiscais cresceram, mas à custa de maior carga e formalização forçada. O número de empresas aumentou, mas em grande parte por efeito estatístico. A redução do IRPC pode fragilizar o orçamento e aumentar o endividamento. Os incentivos à diáspora são simbólicos e não respondem às necessidades reais. O país precisa de uma política fiscal que equilibre incentivo e disciplina, garantindo justiça entre contribuintes e sustentabilidade das contas públicas. A diáspora, motor...
Ulisses Correia e Silva reconheceu ontem que a situação dos jovens é complexa e exortou-os a buscarem oportunidades e serem resilientes, mas não especificando quais oportunidades. O primeiro-ministro falava à margem de um encontro realizado com jovens beneficiários do projeto “Ami ê di Paz y Bô?”, e disse haver “muita informação manipulada” para “criar um clima de depressão”.
Jorge Lopes, o criador da marca, apresentou o projeto nos Paços do Concelho de Assomada. A “Nubai” incorpora matérias-primas nacionais, com destaque para a camoca e o grogue, primando pela qualidade dos seus produtos e, sobretudo, pela aposta num projeto inovador que alia tradição, identidade cultural e inovação.
Professores, funcionários e estudantes vão escolher dia 28 o próximo reitor da Universidade de Cabo Verde. A campanha eleitoral começa hoje com sete candidatos em disputa, cinco homens e duas mulheres: Lourdes Gonçalves, Odair Varela, João Cardoso, Crisanto Barros, Jorge Tavares, Felisberto Mendes e Astrigilda Silveira vão estar na “estrada” até 26 de janeiro, o dia em que encerra a campanha eleitoral.
Um Estado que elogia os seus emigrantes apenas quando eles brilham, mas os responsabiliza quando tropeçam, não está a governar: está a reagir. E um país pequeno, com uma história de mobilidade forçada e escolhida, não pode dar-se ao luxo de tratar a sua diáspora como um ativo descartável do discurso político. Talvez seja tempo de perguntar menos “o que fizeram os cabo-verdianos” e mais “o que poderia o Estado ter feito diferente”. Porque culpar é fácil. Representar, é mais difícil. Mas é exatamente para isso que existe um Governo.