Ouse ser diferente numa sociedade "bipolar"
Colunista

Ouse ser diferente numa sociedade "bipolar"

Os subservientes jamais falam o que pensam; estão permanentemente preocupados com o que os outros pensam. Querem agradar sempre e dificilmente dirão o que realmente passa pelas suas cabeças. Realidade lamentável, mas que infelizmente reflete o nosso cotidiano. No ambiente laboral, esta situação faz parte do dia a dia. Ninguém ousa ser diferente, um ambiente onde todos querem agradar entre si, mesmo sofrendo por dentro. É por isso que estamos numa crise permanente de autenticidade, refletindo no défice da saúde psíquica e emocional.

Já chegamos num ponto em que ser diferente é sofredor e ameaça para os camuflados. A sociedade vive uma "bipolaridade" interpessoal nada positivo. No ambiente laboral, familiar, profissional e social, ser diferente representa uma ameaça. Afinal, ser diferente não é ser melhor; é justamente ser nós mesmos. É agir sem receio de represália; sair do invólucro, da representação simbólica e se mergulhar num ato afirmativo e puro. É simples, mas tudo que é simples não é fácil e tudo que é fácil não é fácil.

Quanto mais produzimos o que realmente somos, mas felicidade teremos e mais saúde psíquica também. Nada como a identidade própria para nos transportar para um campo de realidade e capacidade de autorrealização. O medo da rejeição, a insegurança, a baixa autoestima, as impossibilidades de administrarmos as nossas carências afetivas e necessidades em vários domínios, formam a dificuldade de sermos autênticos. Sim, a autenticidade é uma das caraterísticas mais importantes da nossa singularidade e identidade.

Ser diferente requer identidade. O nosso maior fator de triunfo, é a nossa capacidade de ser diferente. A coragem de sermos genuínos não é fácil. Estamos vivendo a crise do ser, ninguém quer assumir a sua verdadeira face e a maioria prefere usar a "máscara". Ser diferente custa, é um preço alto que se paga. E um dos preços a pagar, é a incompreensão dos outros, sobretudo, dos que vivem próximos de nós. Nossa família, amigos e colegas de profissão. Numa sociedade muito manipuladora e manipulável, a falsa atitude ou comportamento será o mais previsível e até aceitável e conveniente.

Todos querem agradar mutuamente, mas que na verdade, é apenas uma camuflagem. Ser diferente é ser genuíno e ser genuíno é ser sincero e ser sincero é não ter medo do que os outros pensam ou dizem sobre nós. É claro, que este preço poucos querem pagar e quem ousar pagar esse preço terá que saber contornar as críticas e rejeições em vários domínios. Diria, que a nossa sociedade está doente; onde não há a produção da essência e espírito genuíno; a falsidade assume a sua dimensão pujante.

A vulnerabilidade emocional será mais do que previsível e os menos atentos sofrerão consequências.

"Os predadores emocionais", os quais aproveitam das vulnerabilidades alheia, estarão prontos para nocautear. Aos que estão incautos e débeis, serão presas fáceis. A construção da nossa identidade é um imperativo, sob pena de sermos massacrados por aqueles que estão numa posição hierárquica superior ou simplesmente aqueles que estão prevenidos para atacar. As nossas relações poderão ser improdutivas levando em conta as nossas próprias fraquezas ou vulnerabilidades.

É necessário passarmos por uma experiência de crescimento pessoal e mudança de atitude. A subserviência é uma das marcas permanentes no comportamento dos que permanecem no solo da improdutividade, esperando sempre pelos outros, evitando confronto ou falar o que pensam.

Os subservientes jamais falam o que pensam; estão permanentemente preocupados com o que os outros pensam. Querem agradar sempre e dificilmente dirão o que realmente passa pelas suas cabeças. Realidade lamentável, mas que infelizmente reflete o nosso cotidiano. No ambiente laboral, esta situação faz parte do dia a dia. Ninguém ousa ser diferente, um ambiente onde todos querem agradar entre si, mesmo sofrendo por dentro. É por isso que estamos numa crise permanente de autenticidade, refletindo no défice da saúde psíquica e emocional.

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SOBRE O AUTOR

Lino Magno

Teólogo, pastor, cronista e colunista de Santiago Magazine

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