
O líder da bancada parlamentar do PAICV, Clóvis Silva, disse hoje que o partido vai interpelar o Governo sobre a política de investimentos públicos e infra-estruturas dos últimos dez anos, alegando baixa execução e promessas não concretizadas.
Em conferência de imprensa, no âmbito das jornadas parlamentares de preparação para a próxima sessão plenária da Assembleia Nacional, que se inicia esta quarta-feira, Clóvis Silva explicou que a interpelação pretende escrutinar a forma como foram aplicados os recursos públicos ao longo da última década.
Segundo o deputado, a iniciativa surge também num contexto em que, de acordo com o PAICV, tem havido menos espaço para debates parlamentares.
“O Governo e o grupo parlamentar do MpD têm prescindido de instrumentos como debates com ministros e perguntas ao Governo, o que reduziria a sessão plenária praticamente à discussão de diplomas e ao período de questões gerais”, alegou o deputado do PAICV.
De acordo com o parlamentar, o objectivo do PAICV é esclarecer o nível de execução do plano de investimento público e avaliar os resultados das políticas anunciadas.
Clóvis Silva indicou que, desde 2019, a taxa de execução dos investimentos públicos “não ultrapassa os 60 por cento (%)”, apontando ainda que, em 2025, a execução terá sido de cerca de 16 por cento.
O deputado apontou também projectos que, segundo disse, ficaram aquém do inicialmente previsto, referindo como exemplo um projecto de dessalinização preparado anteriormente que previa uma capacidade de produção de água superior à actualmente prevista.
Para o líder parlamentar do PAICV, estes dados levantam dúvidas sobre a concretização de investimentos considerados estruturantes, nomeadamente, nas áreas da água, energia, portos, aeroportos e infra-estruturas escolares.
Durante a conferência de imprensa, Clóvis Silva criticou, igualmente, as recentes deslocações governamentais às ilhas, considerando que muitas delas têm resultado apenas na assinatura de protocolos e memorandos.
“Temos visto mais anúncios e compromissos do que inaugurações efectivas de obras”, lamentou.
No plano legislativo, o deputado referiu ainda que a próxima sessão parlamentar incluirá a discussão de vários diplomas, entre os quais alterações ao estatuto dos municípios e ao estatuto dos funcionários.
Outro ponto destacado pelo PAICV prende-se com um diploma que prevê a integração excepcional na função pública de trabalhadores actualmente em regime de confiança ou contratação.
Para o maior partido da oposição, essa medida pode violar princípios constitucionais relacionados com o acesso à função pública.
“O acesso à função pública deve ser feito através de concurso público, garantindo igualdade de oportunidades para todos os cabo-verdianos”, apontou o dirigente tambarina.
O líder parlamentar do PAICV voltou, por isso, a apelar ao Presidente da República, José Maria Neves, para solicitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade do diploma pelo Tribunal Constitucional.
Conforme explicou, a Constituição permite que o Chefe de Estado peça essa verificação no prazo de oito dias após receber o diploma aprovado pela Assembleia Nacional.
Clóvis Silva manifestou também preocupação com o que considera ser um ambiente político sensível devido ao calendário eleitoral, lembrando que as eleições legislativas estão marcadas para 17 de Maio.
Neste contexto, defendeu que instituições públicas e órgãos do Estado devem manter uma postura de neutralidade.
“Todas as entidades públicas devem resguardar-se para garantir que o processo eleitoral decorra com normalidade e isenção”, concluiu.
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