
Para enfrentar os problemas da insegurança no país, o candidato à sucessão de Ulisses conta com as forças vivas da sociedade para resolver os problemas da delinquência juvenil. O líder do PAICV manifestou ontem preocupação com o aumento do número de celas e de efetivos policiais, referindo que discorda dessa abordagem. “O meu caminho é o contrário, trabalhar para que tenhamos menos celas no país. O aumento do número de celas e de polícias não é motivo de celebração”, defendeu o candidato a primeiro-ministro.
O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e candidato a primeiro-ministro afirmou este domingo, 03, que assumirá como uma das “medidas imediatas” o diálogo com todas as forças vivas da sociedade, com o objetivo de identificar jovens em situação de risco e encaminhá-los para percursos mais positivos. “O aumento do número de celas e de polícias não é motivo de celebração”, disse Francisco Carvalho.
“Quando eu for eleito primeiro-ministro, uma das medidas imediatas será dialogar com todas as forças vivas da sociedade. Em todos os bairros de Cabo Verde existem estruturas próximas dos jovens, associações, fundações e ONG que, a partir do momento em que começarmos a dialogar com elas, poderão, de imediato, interagir com os jovens, ajudando a identificá-los e a encaminhá-los para caminhos mais positivos”, afirmou o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva.
Falando à imprensa no bairro de Achada Grande Frente, na cidade da Praia, Francisco Carvalho destacou, ainda, a necessidade de avançar rapidamente com medidas legislativas concretas que contribuam para atenuar a questão da insegurança.
O líder do PAICV sublinhou que pretende implementar, de forma imediata, o acesso gratuito à universidade e à formação técnico-profissional.
“Os jovens que vivem nos bairros e em diferentes localidades, ao se inscreverem, passarão automaticamente a integrar um percurso de preparação técnico-profissional”, assegurou.
Carvalho manifestou, também, preocupação com o aumento do número de celas e de efetivos policiais, referindo que discorda dessa abordagem. “O meu caminho é o contrário, trabalhar para que tenhamos menos celas no país. O aumento do número de celas e de polícias não é motivo de celebração”, defendeu o candidato a primeiro-ministro.
Falta de emprego é o grande problema
Nas suas declarações, Francisco Carvalho identificou a falta de emprego como o “grande problema” que afeta a juventude e as mulheres. Segundo o líder do PAICV, trata-se de uma das principais queixas da população em todo o país.
“Por isso, a criação de emprego e de postos de trabalho é central neste projeto de Cabo Verde para Todos. Tenho defendido que a criação de emprego é o maior projeto social de qualquer sociedade, pois traz estabilidade, previsibilidade e esperança à vida das pessoas”, salientou.
O candidato a primeiro-ministro considerou, ainda, que o combate à emigração jovem passa, necessariamente, pela aposta no emprego. Na sua perspetiva, o acesso ao trabalho permite aos jovens organizar a sua vida, tornando-os mais resilientes e menos expostos a influências negativas que podem conduzir à insegurança.
“Os jovens têm sido claros, o principal problema é a falta de emprego. Estou a transmitir uma mensagem de esperança e reafirmo que este será o meu principal foco quando assumir a governação de Cabo Verde a partir de 17 de maio”, disse o cabeça-de-lista pelo Círculo Eleitoral de Santiago Sul.
Por outro lado, Francisco Carvalho garantiu que não haverá agravamento da carga fiscal, defendendo, em contrapartida, a redução de despesas excessivas do Estado.
“Ouvimos nas ruas que o Governo é pesado, com muitos ministros e despesas supérfluas. Como representantes do povo, temos de estar em sintonia com essa perceção e proceder aos cortes necessários”, afirmou, sublinhando que os recursos poupados serão canalizados para investimento social.
“Não se trata de despesa, mas de investimento no futuro. Um investimento que deve garantir dignidade em todo o território nacional, com acesso ao emprego, à saúde, à educação, à segurança, à habitação e à mobilidade entre ilhas. Este é um projeto para todos os cabo-verdianos e para todas as classes sociais”, acrescentou, defendendo também o papel central do setor privado como parceiro na criação de emprego.

Onda Amarela “invade” Praia Este
Refira-se que a comitiva do PAICV esteve, ao longo deste domingo, na zona este da capital, com início no bairro de Achada Grande Frente, onde Francisco Carvalho foi recebido com entusiasmo por moradores de várias idades, numa demonstração de confiança nas suas propostas.
A caravana seguiu depois para Lém Ferreira, histórico bastião do PAICV, onde o líder do partido voltou a ser calorosamente acolhido. “O Francisco vai ganhar”, afirmou, de forma entusiasta, uma comerciante local.
Paiol, Castelão, Achada Mato e Achada Limpo foram os destinos seguintes da chamada “Onda Amarela”, marcada por manifestações de apoio, palavras de incentivo e abraços dirigidos ao candidato do PAICV.
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